Jommond Drubim

Os grandes autores deixam uma obra imortal em lugar de suas inconvenientemente fugazes vidas. Elas, as obras, pasto macio de nosso conforto, mais do que uma compensação à vida que carreia consigo a morte, configura-se em uma continuidade extra-mundana: presente de madureza, um cristal de imortalidade. De nosso passo tão pouco caprichoso talvez não reste…

Joycerói

Em breve nota celebro a notícia da primeira edição brasileira de Stephen Hero, do irlandês James Joyce, que na tradução de José Roberto O’Shea, para a cuidadosa Ed. Hedra, transformou-se em Stephen Herói. Vem muito bem acompanhada da já comentada terceira tradução em nosso vernáculo do Ullysses ajudando a reparar, ao menos em parte, nosso…

O RomanSOMnho do Escricantor

Há 89 anos Tim Finnegans caía. Hoje, quase 90 anos depois, continuamos a ouvir seu corpo rolar pela escada: “The fall (bababadalgharaghtakamminarronnkonnbronntonner-ronntuonnthunntrovarrhounawnskawntoohoohoordenenthurnuk!)” nos reunimos no último e a cada 16 de junho, para apreciar a melodia da sua queda. James Joyce não fala somente sobre a queda, ele nos derruba, ele nos faz cair, já na…

Vinte e cinco anos depois, vinte e cinco vivas a “Os Mortos”

Os Vivos e os Mortos (The Dead, 1987) é um filme extraordinário de um diretor excepcional. Foi dirigido pelo americano John Huston, nascido na pacata Nevada de 1906, há exatos 25 anos, tendo envelhecido muito bem (ambos, aliás, criatura e criador). Autor de um percurso oscilante, sua sensibilidade e grandiosidade ficaram incrustadas em pedra, imunes…

Bloomsday, Finnegans Wake e James Joyce em Recife

O ano de 1904 é decisivo para James Joyce: publica O Santo Ofício (o primeiro de sua vida adulta), escreve O Retrato do Artista Quando Jovem e lapida um esboço de ideia que, futuramente, virá a se chamar Stephen Herói. Sobretudo, é nesse mesmo ano de 1904 que James Joyce conhece Nora Barnacle, uma jovem…

Escricantores: James Joyce no Sertão de Guimarães Rosa

Emito aqui uma promissória para meus leitores: trazer a este blog algo sobre a relação entre James Joyce e Guimarães Rosa. Abro, entretanto, vosso apetite (que espero ser voraz) com dois fragmentos de O Burrinho Pedrês, texto de Sagarana, do nosso profeta mineiro e um de James Joyce. Todos bem expressivos do estilo que sustenta…

Caminho de Casa

Sinto um ardor de amante pelo caminho que me leva à cidade onde nasci. Percorri tal caminho, transido de amor macio, durante as festas do Filho de Isabel – festa das fogueiras e luzes – em busca de alguma chama da perdida infância que porventura ardesse ainda. Nas veredas percorridas no intenso caminho interior que…

O rocambole de liberdade e o enforcamento do ser

A vida é maior que qualquer obra, ela sim (e somente ela) é a composição inesgotável por excelência. Comporta todas as grandes obras e, mais do que isso, serve-lhes de matéria prima. Dentre todas as organizações, casuais ou propositais, feitas pela mão humana, a vida persiste como seu contexto mais geral, a moldura onde todas elas…