Quero me casar (por Carlos Drummond de Andrade)

“Quero me casar
na noite na rua
no mar ou no céu
quero me casar.

Procuro uma noiva
loura morena
preta ou azul
uma noiva verde
uma noiva no ar
como um passarinho.

Depressa, que o amor
não pode esperar!”

(por Carlos Drummond de Andrade)

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Sobre Pedro Gabriel

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7 respostas para Quero me casar (por Carlos Drummond de Andrade)

  1. Andréa Carla disse:

    Imagem linda para um poema lindo. Drummond pretendia unir o casamento com o amor. Coisa difícil! Mas tenho que discordar dele, o que o amor mais sabe fazer é esperar.
    até mais Pedro Gabriel

    • Pedro Gabriel disse:

      Andréa, não se engane com o humor irônico de Drummond. Sua poesia deve ser apreciada e compreendida dentro do quadro geral de sua obra complexa. Seus poemas, assim como a obra dos grandes intelectuais de nosso e de todos os tempos, é uma obra em zigue zague. A melhor síntese do que ele disse sobre o amor talvez esteja em “Claro Enigma” (mas mesmo depois surgem novidades existenciais expressas em forma de poema). Enfim, tudo isso pra adizer que o que diz Drummond é dito em tom de ironia, mais uma, sobre o que há de mais incerto e cruel na nossa condição: a experiência de amar.

  2. Drummond faz semblante
    Pedro Gabriel! fato provoca-dor: enquanto relia Freud (O projeto), lia Drummond (100 poemas), daí, ficou impossível não rabiscar, quando recebí sua postagem.Então essa escrevinhação, fica para a sua apreciação.
    A dor, nos ensina Freud, põe em movimento o psiquismo, derrubando todos “os dispositivos de eficiência”(408) que o sujeito pudesse alcançar seja através da plenitude, constância ou ausência de tensão.Ela equivale mesmo, ao fracasso dessa condição.Privilegiadamente, percorre facilmente todos os trilhamentos psíquicos e corporais, deixando atrás de sí, duradouros caminhos.”É o mais imperativo de todos os processos”(409).Contudo, prossegue Freud, é a experiência de satisfação que provê ao sujeito “as consequências mais decisivas para o desenvolvimento das funções individuais”(422).O que é experimentado, vai-se tornando vivenciado, acontecimento psíquico.Tanto a dor quanto o prazer se fazem representar.
    Então, é somente com a intervenção de um outro-estrangeiro que o filhote humano escapa para a vida.Outro, “força auxiliar”(438), incomparável, inigualável e nostálgico, portanto, sempre visado. Marca de nossa existência, selo da carta de amor a nós endereçada.Buscar o amor no outro, é reconhecer nele nossa própria falta, traço originário.Reconhecer , pressupõe recordar ao menos uma parte e é isso mesmo, pois o recalque afasta as lembranças hostis, separando as partes. Reconhecer é sempre um movimento dado a conhecer.Nessa falha, o amor que assim, podemos escrever com o poeta:
    A- visada-mente!!, Quero me casar.

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