Carta de Claudio Ulpiano a Seus Alunos

PARA MEUS ALUNOS DE TÃO POUCOS DIAS Foram cursos diferentes, identificados pelo mesmo espírito: o da invenção e o da criação. Falei-lhes de amantes que só oferecem às suas amadas, o amor; o amor do corpo expressivo. Falei-lhes de orquídeas, enamoradas de vespas e de pássaros que cantam para o crepúsculo. Mostrei-lhes as trevas barrocas…

O Desejo Pego Pelo Rabo

A foto abaixo foi feita no dia 06/06/44 durante a reunião preparada para a primeira leitura dramática da peça “Désir attrapé par la queue” escrita três anos antes por Pablo Picasso. Na ocasião estavam presentes os principais formadores do espírito cultural de Paris, capturados pelas lentes do fotógrafo Gyula Halasz, o húngaro Brassai que, por…

Receita de Ano Novo (por Carlos Drummond de Andrade)

“Para você ganhar belíssimo Ano Novo cor do arco-íris, ou da cor da sua paz, Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido (mal vivido talvez ou sem sentido) para você ganhar um ano não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, mas novo nas sementinhas do vir-a-ser; novo até no coração das…

Obrigado a todos vocês, meus amigos

Drummond (sempre ele) nos garante que brota sempre uma centelha de vida onde os homens se sentam juntos e este blog, para meu deleite, tem sido uma fornalha de vida (não só a mim mas) a todos os que livremente aproximam-se deste sagrado conluio, desta cópula secreta da letra em seu estado primariamente corporal. Agradeço,…

Cem Anos de Nelson, 50 de Psicologia (por Pedro Xavier)

“Lendo os grandes escritores da literatura universal, não raro nos deparamos com personagens de quem se diz que são psicólogos. Os próprios autores o dizem, os próprios criadores desses personagens. Não que tenham sido formados na ciência psicológica, não que tenham feito qualquer espécie de graduação em psicologia. Dizer que são psicólogos é o mesmo…

Pastelaria (por Mário Cesariny)

Em homenagem à vida, esse imenso pastelão azedo, uma bela gargalhada em forma de poesia. PASTELARIA (por Mário Cesariny) “Afinal o que importa não é a literatura nem a crítica de arte nem a câmara escura Afinal o que importa não é bem o negócio nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de…

O Silêncio dos Espíritos

Não à toa o Rei Macbeth ao expressar o seu enfado da vida e o desprezo pelo Tempo caracteriza o que vê como um teatro de palhaços agonizantes cheio de “sound and fury”. Som e fúria. Outras duas palavras quaisquer não descreveriam melhor este tempo confuso e turbulento ao qual nos toca atravessar. Na contramarcha…

Hotel Toffolo (por Carlos Drummond)

“E vieram dizer-nos que não havia jantar. Como se não houvesse outras fomes e outros alimentos. Como se a cidade não nos servisse o seu pão de nuvens. Não, hoteleiro, nosso repasto é interior e só pretendemos a mesa. Comeríamos a mesa, se no-lo ordenassem as Escrituras. Tudo se come, tudo se comunica, tudo, no…

Cuidado, Festas à Vista

Com alegria fraterna, abraço os frequentadores deste blog que me presentearam neste ano com 40 mil visitas e partilharam, por meio de comentários perspicazes e especiais, tantas impressões sobre literatura, vida e condição humana. São mesmo desnorteantes os caminhos que tomam toda humana produção e com este espaço a regra não se quebrou, entretanto os…

Feliz JazzTown

Como última postagem do odioso Natal, celebração da culpa onde uma amarga tristeza se traveste de uma caricata alegria e um recitado sentimento de confraternização universal que se contradiz a cada mínimo gesto, apresento o Jazz, sempre ele, sobretudo ele a nos curar. Trago três faixas temáticas de minha maior predileção. Iniciando com Charlie Parker,…

Das Vantagens de Ser Bobo (por Clarice Lispector)

“O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo. O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: “Estou fa- zendo. Estou pen- sando.” Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída…

Recado ao Senhor 903 (por Rubem Braga)

  “Vizinho, Quem fala aqui é o homem do 1003. Recebi outro dia, consternado, a visita do zelador, que me mostrou a carta em que o senhor reclamava contra o barulho em meu apartamento. Recebi depois a sua própria visita pessoal – devia ser meia-noite – e a sua veemente reclamação verbal. Devo dizer que…