Círculo Vicioso (por Machado de Assis)

“Bailando no ar, gemia inquieto vaga-lume: – Quem me dera que fosse aquela loura estrela, que arde no eterno azul, como uma eterna vela! Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme: – Pudesse eu copiar o transparente lume, que, da grega coluna á gótica janela, contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela! Mas a…

A Estranha Poesia de Vinícius de Moraes

É de Petrarca, o grande italiano, a autoria do modelo cadencial a que chamamos soneto italiano: composição estruturada por 14 versos, distribuídos em 2 quadras seguidas imediatamente por 2 tercetos que assim se mantém desde o século XIV. Os modelos rimáticos mais comuns martelam na cabeça de qualquer pessoa minimamente letrada em poesia (ABBA ou…

Soneto Inglês n° 1 (por Manuel Bandeira)

“Quando a morte cerrar meus olhos duros – Duros de tantos vãos padecimentos, Que pensarão teus peitos imaturos Da minha dor de todos os momentos? Vejo-te agora alheia, e tão distante: Mais que distante – isenta. E bem prevejo, Desde já bem prevejo o exato instante Em que de outro será não teu desejo, Que…

Aos de Casa (por Vinícius de Moraes)

“Este caderno é meu. E é proibido Arrancar “issozinho” do caderno. Pra quem tiver a “ursada” cometido – – caldeiras de aço líquido – no inferno! Quem de “papel” tiver necessidade Por “aperto” ou razões outras quaisquer Há muitas papelarias na cidade Ou cá na Gávea mesmo se quiser. Mas bulir neste bloco eu não…