Consolo na Praia (por Drummond)

René Magritte: La Reconnaissance Infinie, 1963

 

“Vamos, não chores.
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.

O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.

Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis carro, navio, terra.
Mas tens um cão.

Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o humour?

A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.

Tudo somado, devias
precipitar-te, de vez, nas águas.
Estás nu na areia, no vento…
Dorme, meu filho.”

(Poema: Carlos Drummond de Andrade
Pintura: Magritte – La Reconnaissance Infinie, 1963)

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Sobre Pedro Gabriel

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4 respostas para Consolo na Praia (por Drummond)

  1. Carolina Vejarano disse:

    Me identifico plenamente com aquele pedaço que diz “Não possuis carro, navio, terra.
    Mas tens um cão.” 🙂

  2. rodoxcore disse:

    Essa sempre será a poesia da minha vida.

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