Destruição (por Carlos Drummond de Andrade)

  “Os amantes se amam cruelmente e com se amarem tanto não se vêem. Um se beija no outro, refletido. Dois amantes que são? Dois inimigos. Amantes são meninos estragados pelo mimo de amar: e não percebem quanto se pulverizam no enlaçar-se, e como o que era mundo volve a nada. Nada, ninguém. Amor, puro…

O puro nada e a calçada onde o psicanalista roda sua bolsinha

Tenho acompanhado em semi-silêncio a discussão sobre a sucessão eleitoral. Embora tenha a minha opinião a respeito da opção nenos trágica dentre os finalistas da corrida, chamou-me a atenção o modo como alguns colegas (amigos da Psicanálise) chegaram a falar em nome da categoria propondo uma espécie de “voto mais adequado aos psicanalistas” entendendo adequação…

Consolo na Praia (por Drummond)

  “Vamos, não chores. A infância está perdida. A mocidade está perdida. Mas a vida não se perdeu. O primeiro amor passou. O segundo amor passou. O terceiro amor passou. Mas o coração continua. Perdeste o melhor amigo. Não tentaste qualquer viagem. Não possuis carro, navio, terra. Mas tens um cão. Algumas palavras duras, em…

Cantiga de Enganar (por Drummond)

“O mundo não vale o mundo, meu bem. Eu plantei um pé-de-sono, brotaram vinte roseiras. Se me cortei nelas todas e se todas me tingiram de um vago sangue jorrado ao capricho dos espinhos, não foi culpa de ninguém. O mundo, meu bem, não vale a pena, e a face serena vale a face torturada….