O puro nada e a calçada onde o psicanalista roda sua bolsinha

Tenho acompanhado em semi-silêncio a discussão sobre a sucessão eleitoral. Embora tenha a minha opinião a respeito da opção nenos trágica dentre os finalistas da corrida, chamou-me a atenção o modo como alguns colegas (amigos da Psicanálise) chegaram a falar em nome da categoria propondo uma espécie de “voto mais adequado aos psicanalistas” entendendo adequação…

Shakespeare: o próprio cofre de chumbo

Shakespeare é sem dúvida uma das maiores descobertas de minha vida. Dentre todas as construções humanas desde a utilíssima roda até a subutilizada internet (que nos dotou de uma irrestrita capacidade comunica- tiva independente- mente de haver o que ser comunicado) a mais extraordinária é, possivelmente, a sua obra imensa. Talvez como em nenhum outro…

Belo Belo (por Manuel Bandeira)

“Belo belo belo, Tenho tudo quanto quero. Tenho o fogo de constelações extintas há milênios. E o risco brevíssimo — que foi? passou — de tantas estrelas cadentes. A aurora apaga-se, E eu guardo as mais puras lágrimas da aurora. O dia vem, e dia adentro Continuo a possuir o segredo grande da noite. Belo…

L’albatros (par Charles Baudelaire)

“Souvent, pour s’amuser, les hommes d’équipage Prennent des albatros, vastes oiseaux des mers, Qui suivent, indolents compagnons de voyage, Le navire glissant sur les gouffres amers. A peine les ont-ils déposés sur les planches, Que ces rois de l’azur, maladroits et honteux, Laissent piteusement leurs grandes ailes blanches Comme des avirons traîner à côté d’eux….