Saber Perder

“O romance é uma forma superior de vida”, afirma Graciliano Ramos pouco antes de morrer. Com ele concordaria Mario Vargas Llosa para quem o romance possui uma dimensão reparadora do que há de naturalmente deficitário no percurso humano. Para o peruano, é prejudicial qualquer dimensão restritiva nas narrativas romanescas que devem tudo caber: o melhor…

Marx, Freud e Nietzsche: revolução ou subversão

“Mon devoir est de parler, je ne veux pas être complice.” (Émile Zola) “Meu dever é falar, não quero ser cúmplice.” (…) (Émile Zola) Não são poucas as passagens onde Freud e Lacan apontam o fundo homicida por trás dos messianismos políticos, hipótese que o século XX atesta assinando com o sangue de milhões de civis….

Jommond Drubim

Os grandes autores deixam uma obra imortal em lugar de suas inconvenientemente fugazes vidas. Elas, as obras, pasto macio de nosso conforto, mais do que uma compensação à vida que carreia consigo a morte, configura-se em uma continuidade extra-mundana: presente de madureza, um cristal de imortalidade. De nosso passo tão pouco caprichoso talvez não reste…

Carta a um amigo enfermo

Queridíssimo amigo, Sua mensagem me enche de alívio pelo que comporta de auspiciosa quanto ao afastamento do que (me parece) de mais grave poderia implicar em um diagnóstico. Afastada a tumoração, entendo que muito provavelmente o outro diagnóstico (qualquer que seja) será tratável e curável. Tenho plena certeza (e sei que falo pela boca de…

O dia de que mulher?

Não há somente beleza na afirmação de Platão de que “o tempo é a imagem móvel da eternidade”. Há também, nessa postulação de capital importância, a menor síntese do ocidente em seu percurso oscilante entre uma e outra proposta de organização do mundo. Quando diz Platão que o tempo em seu devir é cópia, simulacro…

Herói

Ao contrário da era de luzes que anunciaram os iluministas, entramos na era da estupidez, da demagogia, da cafonice intelectual, da burrice como mérito e da criação de um imenso rebanho humano. Nietzsche acertou todas as suas previsões: em todos os tempos houveram intranquilos, embusteiros, desqualificados, mas em nenhuma outra época a má índole se…

(Minha) Carta ao Tom

Tom, querido, saudades. Como bem lembras (visto que morte nossa é coisa que não ocorre sem nós) há exatos dezenove anos deixavas esse mundo. Sem Internet ou celulares, em 1994 a vida não era instantânea, não vibravam em nossos bolsos as últimas notícias sobre nada e o importante tudo nos chegava, dias depois, por jornais,…

Vinte Anos sem Fellini (por Arnaldo Jabor)

Na mesma folha de jornal em que leio o artigo que compartilho a seguir (um artigo que eu próprio gostaria de ter escrito) vejo também um festival temático de cinema messiânico: cinema como estopim de uma engenharia social, cinema transformação, cinema de salvação do mundo pela incorporação de causas na sétima arte. Eis aí o…

A Morte pelo Rádio

Amanhã participarei do programa Conexão UFPE Saúde para debater o tema “O Homem e sua Finitude”. O  programa será ao vivo, das 13h às 14h, nesta sexta-feira (01/11) na Rádio Universitária FM (99.9) e pode ser acompanhado pela Internet. Comigo estarão Evaldo Coutinho, James Joyce, Martin Heidegger, Sigmund Freud e Carlos Drummond de Andrade. Preparem…

Uma passagem para nada

Após outras tentativas de circulação entre os meios culturais de Recife, cidade em evidência por ser um caldeirão ativo onde borbulham novidades musicais e cinematográficas a todo instante, retorno da jornada novamente frustrado com a nulidade estética de festivais e turnês que, em que pese sua incapacidade de tocar a obra, a poiesis, uma mínima…