Saravá, Vinícius

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Vinícius completa hoje 100 anos de seu nascimento e 95 de poesia. Em sua precocidade, talvez ciente do muito a ser feito no fornecimento da beleza com que iria nos cercar, inicia-se poeta aos 5 anos, com caderninho de poemas e tudo. Nunca deixou de ser menino e, não obstante, envelheceu muito bem (eis o paradoxo dos poetas). Cresceu com os olhos cheios de uma incessante perplexidade (ainda maior quando marinada em uísque) admirando a poesia de todas as coisas: as boas e ruins. Descobre o amor, aquele tema que ao final de sua vida seria o grande motor de sua poesia e sua canção, num momento de penúria financeira, quando vai morar com a família em uma casa de pescadores e segue não recusando-se a nenhuma face com que o mundo se lhe apresentava, tornando a matéria dolorosa dos acontecimentos na matéria prima de sua escrita. Ao final Vinícius morreu, em sua banheira, compondo com seu último amigo de parcerias. Morreu por vontade própria, como último capricho de sua poesia. Em uma famosa entrevista diz que sua vida (e extensivamente sua poesia) era um labirinto a procura de uma porta de saída. Encontramos isso em seu “Poema de Natal” em uma bela imagem da vida como “um caminho entre dois túmulos”. Para isso (para a morte) fomos feitos: “Para a esperança no milagre, Para a participação da poesia, Para ver a face da morte.”. Precisar morrer não precisava, mas o caminho de fruição que ele deixou torna-se ainda mais belo e eficaz tendo como horizonte a Diligência Fatal. Vinícius fez esse sacrifício por nós: morreu para que nós vivamos em seu lugar. Essa é a grande saudade que ele nos deixa, não bastasse seu valor estético, fica, depois de sua morte, um vazio afetivo marcado pela partida de um homem que semeava amor ao invés de pedras, que se doava ao invés de se defender, que ante um mundo de pesadelos compôs uma obra de sonho.  Como homenagem a esse homem a quem eu devo tanto do que se lapidou em mim em termos de sensibilidade musical e poética, deixo o depoimento de alguns amigos em comum: Drummond, Jobim e Chico Buarque. De minha parte deixo, como reconhecimento de eterna gratidão, uma parte de mim: uma lágrima que, salgada, cai em meus dedos rolando em agradecimento a toda a minha existência que tornou-se melhor após sua poesia. Obrigado por tudo. Muitas saudades, meu amigo. Onde anda você?

 

 

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