O dia de que mulher?

Não há somente beleza na afirmação de Platão de que “o tempo é a imagem móvel da eternidade”. Há também, nessa postulação de capital importância, a menor síntese do ocidente em seu percurso oscilante entre uma e outra proposta de organização do mundo. Quando diz Platão que o tempo em seu devir é cópia, simulacro…

O Amor e as Abelhas

“Com as coisas podemos comportar-nos sem amor: podemos cortar árvores, fazer tijolos, forjar aço sem amor; mas com seres humanos não podemos comportar-nos sem amor, assim como não podemos lidar sem precaução com as abelhas” (Ressurreição – Liev Tolstói)

Carta 36 (de Fernando Pessoa a Ophélia de Queiroz)

Ophelinha, Agradeço a sua carta. Ela trouxe-me pena e alívio ao mesmo tempo. Pena, porque estas coisas fazem sempre pena; alívio, porque, na verdade, a única solução é essa – o não prolongarmos mais uma situação que não tem já a justificação do amor, nem de uma parte nem de outra. Da minha, ao menos,…

Saravá, Vinícius

Vinícius completa hoje 100 anos de seu nascimento e 95 de poesia. Em sua precocidade, talvez ciente do muito a ser feito no fornecimento da beleza com que iria nos cercar, inicia-se poeta aos 5 anos, com caderninho de poemas e tudo. Nunca deixou de ser menino e, não obstante, envelheceu muito bem (eis o…

Toada do Amor (por Carlos Drummond de Andrade)

“Toada do Amor E o amor sempre nessa toada! briga perdoa perdoa briga. Não se deve xingar a vida, a gente vive, depois esquece. Só o amor volta para brigar, para perdoar, amor cachorro bandido trem. Mas, se não fosse ele, também que graça que a vida tinha? Mariquita, dá cá o pito, no teu…

À Une Raison (por Arthur Rimbaud)

“Un coup de ton doigt sur le tambour décharge tous les sons et commence la nouvelle harmonie. Un pas de toi, c’est la levée des nouveaux hommes et leur en-marche. Ta tête se détourne : le nouvel amour ! Ta tête se retourne, – le nouvel amour ! “Change nos lots, crible les fléaux, à…

Das Vantagens de Ser Bobo (por Clarice Lispector)

“O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo. O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: “Estou fa- zendo. Estou pen- sando.” Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída…

Os Haveres de Vinícius de Moraes

Diante de um lamentável mundo que, crescendo, desaba, Vinícius de Moraes, agasalhado de poesia e música, soube não rumar para o fim e traçar para si um eterno recomeço.  Soube também nos ensinar o caminho. Confrontado com as vicissitudes de um mundo que, já em seu tempo, opunha a vida cotidiana (redundante- mente repleta de…

Tristeza, riso, poesia

Não há vida feliz. Ao contrário do que as pessoas comuns vulgarmente repetem (que em todos os momentos da historia sempre se buscou a felicidade como objetivo maior de qualquer vida) a felicidade é uma construção recente: é moderna, filha da revolução industrial que colocou nossa alma em uma esteira fordista transfor-mando-nos em mais um…

Cinema (por Ascenso Ferreira)

  “-Mas D. Nina, aquilo que é o tal de cinema? O homem saiu atrás da moça, pega aqui, pega acolá, pega aqui, pega acolá, até que pégou-la. Pegou-la e sustentou-la! Danou-lhe um beijo, danou-lhe um beijo!… Depois entram pra dentro dum quarto! Fêz-se aquela escuridão e só se via o lençol bulindo… ……………………………………. -Me…

A Pedra e o Viúvo

Drummond entra na poesia com seu brilhante Alguma Poesia cuja publicação, datada de 1930, foi custeada com economias próprias. Nele ouve-se retumbante seu magnífico No meio do caminho, de longe, o poema dono da mais extensa fortuna crítica de nossa literatura. Mesmo estreante, o Gauche Itabirano não era propriamente um desconhecido ao quebrar seu cofre-porquinho…