Para Sempre (por Drummond)

Drummond, pequenino feito grão de milho

Drummond, pequenino feito grão de milho

“Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.

Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
– mistério profundo –
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.”

(Poema de circunstância, escrito em 1948 por ocasião do falecimento de Julieta Augusta Drummond de Andrade, mãe do poeta)

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Sobre Pedro Gabriel

www.lituraterre.com
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2 respostas para Para Sempre (por Drummond)

  1. Pertinente, sucinto, na medida.

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