Morrer… amar…

Morremos a todo instante. Nas pequenas e grandes desilusões da vida, nos imprevistos, contratempos, no não-negociável que nos cerca, no que há de incontornável em nossa condição, no a-Muro, no amoródio, no impossível da relação sexual. Morremos um pouco na solene ilusão do sexo, no circuito que se reabre inexoravelmente após os jorros amorosos evidenciando…

Poesia: principal passagem para Pasárgada

  O jovem Manuel Bandeira – Fonte: Condomínio dos proprietários dos direitos de imagem de Manuel Bandeira A poesia traz a promessa do prazer. É fatal: poesia é antes de qualquer outra coisa fruição. Palavras ecorrendo da boca como o mel respingando dos favos. Em Bandeira (e em mais alguns outros Poetas Maiores) ela é…

Poesia é pra essas coisas

O mundo é grande – nos lembra incessantemente Drummond – e nosso coração, ao contrário do que ele próprio imaginava na infância, não é maior que o este (o mundo). É tão menor, tão pequeno, que sequer pode conter adequadamente as dores que lhe cabem. O mundo é grande, mas infeliz e ironicamente muito pequeno…

Shakespeare: o próprio cofre de chumbo

Shakespeare é sem dúvida uma das maiores descobertas de minha vida. Dentre todas as construções humanas desde a utilíssima roda até a subutilizada internet (que nos dotou de uma irrestrita capacidade comunica- tiva independente- mente de haver o que ser comunicado) a mais extraordinária é, possivelmente, a sua obra imensa. Talvez como em nenhum outro…

Consolo na Praia (por Drummond)

  “Vamos, não chores. A infância está perdida. A mocidade está perdida. Mas a vida não se perdeu. O primeiro amor passou. O segundo amor passou. O terceiro amor passou. Mas o coração continua. Perdeste o melhor amigo. Não tentaste qualquer viagem. Não possuis carro, navio, terra. Mas tens um cão. Algumas palavras duras, em…

O Fantasma de Minas

Ser mineiro é ser gente. A frase não é minha, mas de Drummond. Em seu belo “Ser Mineiro” ele fala dos atributos delicados do povo das montanhas que ouve mais que fala e tem a prudência de não pisar no escuro ou dar rasteira em vento. Ser mineiro, principalmente (e é onde reside o contagioso…

Web Logs e os Não-sem-danos da vida

(Crédito da Foto: Stefany Alves em http://donttouchmymoleskine.com/) O amor não é sem danos. Escrever menos ainda. Talvez exista uma incontornável semelhança entre essas duas malditas atividades onde o agente é muito mais agido, muito mais asujeitado (ou assujeirado) que sujeito num processo onde a autoria pode ser constantemente contestada. Que os mais pudicos segurem seus…

Versos de Amor (por Augusto dos Anjos)

“Parece muito doce aquela cana. Descasco-a, provo-a, chupo-a . . ilusão treda! O amor, poeta, é como a cana azeda, A toda a boca que o não prova engana. Quis saber que era o amor, por experiência, E hoje que, enfim, conheço o seu conteúdo, Pudera eu ter, eu que idolatro o estudo, Todas as…

1938

Quando estudava Diplomacia em Londres, o poeta Vinícius de Moraes escreveu uma amargurada missiva à sua então noiva Tati de Moraes falando de seu confinamento na fria Inglaterra dos anos 30. Para o poeta, sua estadia era mais que um isolamento: era um cativeiro sombrio quase impossível de ser suportado longe das insígnias pátrias que…

Nova Poética (por Manuel Bandeira)

“Vou lançar a teoria do poeta sórdido. Poeta sórdido: Aquele em cuja poesia há a marca suja da vida. Vai um sujeito. Sai um sujeito de casa com a roupa de brim branco muito bem engomada, e na primeira esquina passa um caminhão, salpica-lhe o paletó ou calça de uma nódoa de lama: É a…