Ai, quem me dera chegar a primavera Dos sabores e cheiros, da fruta e do jasmim E da vida, esta estranha dona, se gozasse tanto Que a dor que estala sumisse de mim. Ai, quem me dera ver nascer a fera Que ao lado do anjo, conheceria o amor. Daqueles que nos deixam qual imbecis….
Autor: Pedro Gabriel
O Monstrengo (por Fernando Pessoa)
“O mostrengo que está no fim do mar Na noite de breu ergueu-se a voar; A roda da nau voou três vezes, Voou três vezes a chiar, E disse: «Quem é que ousou entrar Nas minhas cavernas que não desvendo, Meus tectos negros do fim do mundo?» E o homem do leme disse, tremendo: «El-Rei…
Poema de Sete Pragas
POEMA DE SETE PRAGAS Quando nasci, um anjo torto desses que vivem na sombra disse a mim o mesmo que ao Carlos… … ahh se eu pego esse filho da puta! (Recife 27/07/2007)
Cantiga de Enganar (por Drummond)
“O mundo não vale o mundo, meu bem. Eu plantei um pé-de-sono, brotaram vinte roseiras. Se me cortei nelas todas e se todas me tingiram de um vago sangue jorrado ao capricho dos espinhos, não foi culpa de ninguém. O mundo, meu bem, não vale a pena, e a face serena vale a face torturada….
Satiricômico ou As Deliciosas Marteladas do Analista
Comédia é uma palavra mergulhada em trevas. Empapada de indefinições quanto ao seu sentido originário, há uma tendência filológica à recusa do termo homofoneticamente mais simples: associá-la ao comoedia latino. Abdicando ao simples e mergulhando (de onde é sempre bom partir) nas indefinições gregas, obteríamos de saída um impasse quanto à cacimba da palavra: se…
Versos negros (mas nem tanto) (por Drummond)
“Ao levantar, muito cuidado, amigo. Não ponha os pés no chão. Corre perigo se há nylon no tapete: ele dá câncer. Pise somente no ar, mas com cautela. Uma pesquisa sábia nos revela esta triste verdade: o ar dá câncer. À hora do café, não seja pato, pois tanto açúcar como ciclamato e xícara e…
Quanto tempo dura o Amor?
A raiz filológica da palavra amor guarda alguns mistérios. Palavra que tem sua origem no latim arcaico (como a maior parte do léxico de nosso vernáculo, bem como suas regras e sintaxes) praticado na Roma antiga, resume em si uma enorme gama de sentidos. Pode significar desde uma leve afeição até a mais cega paixão…
Amar (por Drummond)
“Que pode uma criatura senão, entre criaturas, amar? amar e esquecer, amar e malamar, amar, desamar, amar? sempre, e até de olhos vidrados, amar? Que pode, pergunto, o ser amoroso, sozinho, em rotação universal, senão rodar também, e amar? amar o que o mar traz à praia, e o que ele sepulta, e o que,…
Fala, amendoeira (por Drummond)
“Esse ofício de rabiscar sobre as coisas do tempo exige que prestemos alguma atenção à natureza – essa natureza que não presta atenção em nós. Abrindo a janela matinal, o cronista deparou no firmamento, que seria de uma safira impecável se não houvesse a longa barra de névoa a toldar a linha entre céu e…
