(Mafalda, como já dito neste Blog, é criação genial do cartunista argentino Quino)
Categoria: Passagem das Horas
O Fantasma de Arcoverde
Um relâmpago me atinge bem agora em algum canto verde da alma. Chega um momento na vida de um homem em que ele simplesmente senta numa poltrona e se dá por recordar (Drummond again). O relâmpago é imagem desse movimento inevitável que des-esquece coisas dentro de nós iluminando cantos sombrios. Em meu caso o canto…
O Pavão de Rubem Braga e Os Bolsos Vazios da Crônica
A crônica é um gênero fundamentalmente brasileiro. Como qualquer outra coisa das que o mundo possibilita, é derivada de um modo próprio de organização humana. No nosso caso específico ela é fruto do descaso que historicamente mantivemos com nossos grandes escritores e poetas que, na impossibilidade de trocar poesia por pão, precisavam suar o cérebro…
Consoada (por Manuel Bandeira)
“Quando a Indesejada das gentes chegar (Não sei se dura ou caroável), talvez eu tenha medo. Talvez sorria, ou diga: – Alô, iniludível! O meu dia foi bom, pode a noite descer. (A noite com os seus sortilégios.) Encontrará lavrado o campo, a casa limpa, A mesa posta, Com cada coisa em seu lugar.” (Por…
Poema da Necessidade (por Drummond)
“É preciso casar João, é preciso suportar Antônio, é preciso odiar Melquíades é preciso substituir nós todos. É preciso salvar o país, é preciso crer em Deus, é preciso pagar as dívidas, é preciso comprar um rádio, é preciso esquecer fulana. É preciso estudar volapuque, é preciso estar sempre bêbado, é preciso ler Baudelaire, é…
Por Você Por Mim – Fragmento (por Ferreira Gullar)
“A noite, a noite, que se passa? diz que se passa, esta serpente vasta em convulsão, esta pantera lilás, de carne lilás, a noite, esta usina no ventre da floresta, no vale, sob os lençóis de lama e acetileno, a aurora, o relógio da aurora, batendo, batendo, quebrado entre cabelos, entre músculos mortos, na podridão…
Elegia (por Drummond)
“Ganhei (perdi) meu dia. E baixa a coisa fria também chamada noite, e o frio ao frio em bruma se entrelaçam, num suspiro.E me pergunto e me respiro na fuga deste dia que era mil para mim que esperava, os grandes sóis violentos, me sentia tão rico deste dia e lá se foi secreto, ao…
Um Pouco Antes (por Ferreira Gullar)
“Quando já não for possível encontrar-me em nenhum ponto da cidade ou do planeta pensa ao veres no horizonte (…) uma nesga azul de céu que resta alguma coisa de mim por aqui Não te custará nada crer que sorrio ainda naquela nesga azul celeste pouco antes de dissipar-me para sempre”. (por Ferreira Gullar: fragmento…
O Monstrengo (por Fernando Pessoa)
“O mostrengo que está no fim do mar Na noite de breu ergueu-se a voar; A roda da nau voou três vezes, Voou três vezes a chiar, E disse: «Quem é que ousou entrar Nas minhas cavernas que não desvendo, Meus tectos negros do fim do mundo?» E o homem do leme disse, tremendo: «El-Rei…
Fala, amendoeira (por Drummond)
“Esse ofício de rabiscar sobre as coisas do tempo exige que prestemos alguma atenção à natureza – essa natureza que não presta atenção em nós. Abrindo a janela matinal, o cronista deparou no firmamento, que seria de uma safira impecável se não houvesse a longa barra de névoa a toldar a linha entre céu e…
