Não somente em homenagem aos oito operários enforcados em Chicago (saudados anualmente por todo o mundo nesse primeiro de maio), mas em cumplicidade a todos os demais sufocados pelo tédio da vida que se apega em nós oleosamente como gordura a empapar nossa alma, publico uma das Elegias Drummondianas. No miolo de sua obra imensa,…
Categoria: Literatura
A Incapacidade de Ser Verdadeiro (por Carlos Drummond)
“Paulo tinha fama de mentiroso. Um dia chegou em casa dizendo que vira no campo dois dragões da independência cuspindo fogo e lendo fotonovelas. A mãe botou-o de castigo, mas na semana seguinte ele veio contando que caíra no pátio da escola um pedaço de lua. Desta vez Paulo não só ficou sem sobremesa, como foi…
Escricantores: James Joyce no Sertão de Guimarães Rosa
Emito aqui uma promissória para meus leitores: trazer a este blog algo sobre a relação entre James Joyce e Guimarães Rosa. Abro, entretanto, vosso apetite (que espero ser voraz) com dois fragmentos de O Burrinho Pedrês, texto de Sagarana, do nosso profeta mineiro e um de James Joyce. Todos bem expressivos do estilo que sustenta…
Poema (Anti)Natalino (por Fernando Mota)
NONEL por Fernando Mota “Um dia serei Natal Liberto desse comércio Sem shopping cheque cartão Guichê no aperto de mão Lucro na pele do abraço. Um dia serei estrela Ser sem comércio, poeira Dust stardust compasso. Raio no azul da piscina Lição que a vida não ensina Em si completa: nonada.”
Carta a Meu Filho (por Erich Kästner e Drummond)
“Afinal, eu quisera ter um filho Forte e inteligente como essas crianças de hoje. Só uma coisa me falta para esse menino. Falta-lhe apenas a mãe. Não é qualquer moça que serve para esse fim. Há longos anos eu a estou procurando. A felicidade é mais rara que os feriados, E tua mãe nada sabe…
Tristeza, riso, poesia
Não há vida feliz. Ao contrário do que as pessoas comuns vulgarmente repetem (que em todos os momentos da historia sempre se buscou a felicidade como objetivo maior de qualquer vida) a felicidade é uma construção recente: é moderna, filha da revolução industrial que colocou nossa alma em uma esteira fordista transfor-mando-nos em mais um…
Contra a foice do tempo é vão o combate
“Quando a hora dobra em triste e tardo toque E em noite horrenda vejo escoar-se o dia, Quando vejo esvair-se a violeta, ou que A prata a preta têmpora assedia; Quando vejo sem folha o tronco antigo Que ao rebanho estendia sombra franca E em feixe atado agora o verde trigo Seguir o carro, a…
Já que dura tão pouco a flor dos anos…
“Já Marília cruel, me não maltrata saber que usas comigo de cautelas, qu’inda te espero ver por causa delas, arrependida de ter sido ingrata Com o tempo, que tudo desbarata, teus olhos deixarão de ser estrelas; verás murchar no rosto as faces belas e as tranças d´oiro converter-se em prata. Pois se sabes que a…
Jayme Ovalle
Algumas figuras queridas, dessas que iluminam a noite em que a humanidade (e em particular a brasilidade) se afunda possuem menções desmerecidamente resumida por este blog. É certo que o tempo haverá de fazer justiça a estes amigos e que assim que eu me desvencilhar de um par de atribuições eles serão evocados com o…
Ascenso, o princípio
Ascenso Ferreira foi o responsável pelo meu primeiro alumbramento poético. Embora meu primeiro arrebatamento tenha se dado de maneira definitiva com João Cabral e sua poesia pluvial, minha alma aprendeu por primeiro a respirar sorvendo o sopro da poesia cotidiana do velho palmarense. Sua poesia pungente e divertida me apresentou em primeira mão (Freud, quando…
