Contra a foice do tempo é vão o combate

“Quando a hora dobra em triste e tardo toque
E em noite horrenda vejo escoar-se o dia,
Quando vejo esvair-se a violeta, ou que
A prata a preta têmpora assedia;

Quando vejo sem folha o tronco antigo
Que ao rebanho estendia sombra franca
E em feixe atado agora o verde trigo
Seguir o carro, a barba hirsuta e branca;

Sobre tua beleza então questiono
Que há de sofrer do Tempo a dura prova,
Pois as graças do mundo em abandono

Morrem ao ver nascendo a graça nova.
Contra a foice do Tempo é vão combate,
Salvo a prole, que o enfrenta se te abate.”

(Soneto XII de W. Shakespeare pela maravilhosa tradução de Ivo Barroso, de longe nosso maior tradutor literário vivo)

2 comentários Adicione o seu

  1. sonia disse:

    Excelente Pedro!!!
    Obrigada pela qualidade .

    1. Pedro Gabriel disse:

      Lembre também de agradecer a Shakespeare. Ele tem alguma parcela na construção dessa postagem.

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