Chove. Há Silêncio. (por Fernando Pessoa)

“Chove. Há silêncio, porque a mesma chuva Não faz ruído senão com sossego. Chove. O céu dorme. Quando a alma é viúva Do que não sabe, o sentimento é cego. Chove. Meu ser (quem sou) renego… Tão calma é a chuva que se solta no ar (Nem parece de nuvens) que parece Que não é…

Pessoa de Jobim

A Música em Pessoa, 1985, Biscoito Fino Abaixo compartilho a versão de “Do Vale a Montanha” idealizada por Jobim para o “Cavaleiro Monge” de Fernando Pessoa. É parte de um disco extraordinário da Biscoito Fino chamado “A Música em Pessoa” onde temos o prazer semi-orgástico de ouvir Jobim em Pessoa, ou seja, o piano do…

Pecado Original (por Fernando Pessoa)

“Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? Será essa, se alguém a escrever, A verdadeira história da humanidade. O que há é só o mundo verdadeiro, não é nós, só o mundo; O que não há somos nós, e a verdade está aí. Sou quem falhei ser. Somos todos quem nos supusemos….

Merda! Sou lúcido. (por Fernando Pessoa)

Cruzou Por Mim, Veio Ter Comigo Numa Rua da Baixa [Fernando Pessoa narrado por Jô Soares] by lituraterre CRUZOU POR MIM (por Fernando Pessoa na casca de Álvaro de Campos) Cruzou por mim, veio ter comigo, numa rua da Baixa Aquele homem mal vestido, pedinte por profissão que se lhe vê na cara, Que simpatiza…

O Guardador de Rebanhos – Parte VIII (por Alberto Caeiro)

  “Num meio-dia de Primavera Tive um sonho como uma fotografia. Vi Jesus Cristo descer à terra. Veio pela encosta de um monte Tornado outra vez menino, A correr e a rolar-se pela erva E a arrancar flores para as deitar fora E a rir de modo a ouvir-se longe. Tinha fugido do céu. Era…

Lisbon Revisited (por Fernando Pessoa)

  “Não: não quero nada. Já disse que não quero nada. Não me venham com conclusões! A única conclusão é morrer. Não me tragam estéticas! Não me falem em moral! Tirem-me daqui a metafísica! Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas Das ciências (das ciêricias, Deus meu, das ciências!)— Das ciências, das artes,…

Ama, bebe e cala…

Tão cedo passa tudo quanto passa! Morre tão jovem ante os deuses quanto Morre! Tudo é tão pouco! Nada se sabe, tudo se imagina. Circunda-te de rosas, ama, bebe E cala. O mais é nada.   (Escrito por Fernando Pessoa usando a casca de Ricardo Reis no terceiro dia do ano de 1923)

D’O Guardador de Rebanhos

(Trecho de “O Guardador de Rebanhos” de Alberto Caeiro – Fernando Pessoa, ilustração de autoria não localizada)

Dobrada à Moda do Porto (Por Álvaro de Campos)

  “Um dia, num restaurante, fora do espaço e do tempo, Serviram-me o amor como dobrada fria. Disse delicadamente ao missionário da cozinha Que a preferia quente, Que a dobrada (e era à moda do Porto) nunca se come fria. Impacientaram-se comigo. Nunca se pode ter razão, nem num restaurante. Não comi, não pedi outra…

Poema em Linha Reta (por Fernando Pessoa)

“Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo. E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil, Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita, Indesculpavelmente sujo, Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho, Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo, Que tenho enrolado…