O Homem, as Viagens (por Drummond)

* O Homem, as Viagens, escrito e narrado por Carlos Drummond de Andrade “O homem, bicho da terra tão pequeno Chateia-se na terra Lugar de muita miséria e pouca diversão, Faz um foguete, uma cápsula, um módulo Toca para a lua Desce cauteloso na lua Pisa na lua Planta bandeirola na lua Experimenta a lua…

A Casa do Oscar (por Chico Buarque)

“A casa do Oscar era o sonho da família. Havia um terreno para os lados da Iguatemi, havia o anteprojeto, presente do próprio, havia a promessa de que um belo dia iríamos morar na casa do Oscar. Cresci cheio de impaciência porque meu pai, embora fosse dono do Museu do Ipiranga, nunca juntava dinheiro para…

Mascarada (por Manuel Bandeira)

“Você me conhece? (Frase dos mascarados de antigamente) – Você me conhece? – Não conheço não. – Ah, como fui bela! Tive grandes olhos, que a paixão dos homens (estranha paixão!) Fazia maiores… Fazia infinitos. Diz: não me conheces? – Não conheço não. – Se eu falava, um mundo Irreal se abria à tua visao!…

Inscrição para uma Lareira (por Mario Quintana)

“A vida é um incêndio: nela dançamos, salamandras mágicas Que importa restarem cinzas se a chama foi bela e alta? Em meio aos toros que desabam, cantemos a canção das chamas! Cantemos a canção da vida, na própria luz consumida…”

Pequena Crônica Policial (por Mario Quintana)

“Jazia no chão, sem vida, E estava toda pintada! Nem a morte lhe emprestara A sua grave beleza… Com fria curiosidade, Vinha gente a espiar-lhe a cara, As fundas marcas da idade, Das canseiras, da bebida… Triste da mulher perdida Que um marinheiro esfaqueara! Vieram uns homens de branco, Foi levada ao necrotério. E enquanto…

Fragmento de Nova Antologia Poética (por Quintana)

“Oh! aquele menininho que dizia “Fessora, eu posso ir lá fora?” Mas apenas ficava um momento Bebendo o vento azul… Agora não preciso pedir licença a ninguém. Mesmo porque não existe paisagem lá fora: Somente cimento. O vento não mais me fareja a face como um cão amigo… Mas o azul irreversível persiste em meus olhos.”

O Fazendeiro do Ar

Em brevíssimo documentário, Fernando Sabino retrata seu conterrâneo mineiro estendendo diante de nossos felizardos olhos um pequeno-imenso painel com algumas das questões fundamentais que envolvem a poesia do Grande Itabirano e sua poesia oceânica. O documentário está disponível em DVD ao lado de outros saborosíssimos documentários sobre outros autores viscerais em um volume chamado “Encontro…

Aula Inaugural no São João (Borges e Quintana)

Para Quintana, poeta e menino de aquário protegido como eu dos ruídos desse mundo intenso, a dança, como a poesia, apresentava-se como um luzeiro de esperança no oco do tenebroso da existência. Ritmo e poesia acendiam-se iluminando uma vereda na contramarcha do abismo. Somados, dança e verso (em sua tradição eminentemente oral) encontramos a música….

O Elixir do Amor (fragmento)

“Belo repouso o do ceifeiro! Quando o sol mais ferve e escalda, sob uma faia, aos pés de uma colina, repousar e respirar!  O vivo ardor do meio-dia é apaziguado pelas sombras e pelos rios que correm; mas a chama ardente do amor nem sombra, nem rio podem apaziguar. Afortunado seja o ceifeiro que dele…

Aos Namorados do Brasil (por Drummond)

“Dai-me, Senhor, assistência técnica para eu falar aos namorados do Brasil. Será que namorado algum escuta alguém? Adianta falar a namorados? E será que tenho coisas a dizer-lhes que eles não saibam, eles que transformam a sabedoria universal em divino esquecimento? Adianta-lhes, Senhor, saber alguma coisa, quando perdem os olhos para toda paisagem , perdem…