Nel mezzo del camin… (por Olavo Bilac)

“Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada E triste, e triste e fatigado eu vinha. Tinhas a alma de sonhos povoada, E a alma de sonhos povoada eu tinha… E paramos de súbito na estrada Da vida: longos anos, presa à minha A tua mão, a vista deslumbrada Tive da luz que teu olhar continha. Hoje, segues de…

Soneto Inglês n° 1 (por Manuel Bandeira)

“Quando a morte cerrar meus olhos duros – Duros de tantos vãos padecimentos, Que pensarão teus peitos imaturos Da minha dor de todos os momentos? Vejo-te agora alheia, e tão distante: Mais que distante – isenta. E bem prevejo, Desde já bem prevejo o exato instante Em que de outro será não teu desejo, Que…

Poema (Anti)Natalino (por Fernando Mota)

NONEL por Fernando Mota “Um dia serei Natal Liberto desse comércio Sem shopping cheque cartão Guichê no aperto de mão Lucro na pele do abraço. Um dia serei estrela Ser sem comércio, poeira Dust stardust compasso. Raio no azul da piscina Lição que a vida não ensina Em si completa: nonada.”

Carta a Meu Filho (por Erich Kästner e Drummond)

“Afinal, eu quisera ter um filho Forte e inteligente como essas crianças de hoje. Só uma coisa me falta para esse menino. Falta-lhe apenas a mãe. Não é qualquer moça que serve para esse fim. Há longos anos eu a estou procurando. A felicidade é mais rara que os feriados, E tua mãe nada sabe…

Hunger ist Heilbar (por Erich Kästner e Drummond)

“O homem entrou no hospital e disse: “Não me sinto bem”. Então, extraem-lhe o apêndice e lavam-no com formol. “Sente-se melhor?” Responde: “Não. Mas os médicos dão-lhe coragem e cortam-lhe a perna esquerda, garantindo: “Agora vai ficar bom”. Continua a sofrer, no entanto, e enche de gritos o hospital. Para descobrir o que pode ser,…

Os Haveres de Vinícius de Moraes

Diante de um lamentável mundo que, crescendo, desaba, Vinícius de Moraes, agasalhado de poesia e música, soube não rumar para o fim e traçar para si um eterno recomeço.  Soube também nos ensinar o caminho. Confrontado com as vicissitudes de um mundo que, já em seu tempo, opunha a vida cotidiana (redundante- mente repleta de…

A Gente Ainda não Sabia… (por Mario Quintana)

“A gente ainda não sabia que a Terra era redonda. E pensava-se que nalgum lugar, muito longe, Deveria haver num velho poste uma tabuleta qualquer – uma tabuleta meio torta E onde se lia em letras rústicas: FIM DO MUNDO. Ah! depois nos ensinaram que o mundo não tem fim E não havia remédio senão…

Dia dos Professores com Drummond

“O professor disserta sobre ponto difícil do programa. Um aluno dorme, Cansado das canseiras desta vida. O professor vai sacudí-lo? Vai repreendê-lo? Não. O professor baixa a voz, Com medo de acordá-lo.”

Evocação do Recife (por Manuel Bandeira)

* Narração do próprio Manuel Bandeira “Recife Não a Veneza americana Não a Mauritsstad dos armadores das Índias Ocidentais Não o Recife dos Mascates Nem mesmo o Recife que aprendi a amar depois – Recife das revoluções libertárias Mas o Recife sem história nem literatura Recife sem mais nada Recife da minha infância A rua…