Dobrada à Moda do Porto (Por Álvaro de Campos)

  “Um dia, num restaurante, fora do espaço e do tempo, Serviram-me o amor como dobrada fria. Disse delicadamente ao missionário da cozinha Que a preferia quente, Que a dobrada (e era à moda do Porto) nunca se come fria. Impacientaram-se comigo. Nunca se pode ter razão, nem num restaurante. Não comi, não pedi outra…

O Aniversário de Clarice Lispector nos Lembra: ninguém nasce pra ser feliz

Chovendo no molhado anuncio o que já corre solto pelas curvas impalpáveis da Internet: se viva, Clarice Lispector completaria na manhã de hoje belos 90 anos. Reconhecedor que sou da importância maiúscula de Clarice para a nossa prosa e admirador contumaz de sua personalidade incrivelmente lúcida sou, não obstante, um quase desconhecedor de sua obra….

A Chama (por Ascenso Ferreira)

“Na minha vida cruel e avara és irrequieta chama clara iluminando a solidão Porém repara bem, repara e vê se a  nada se compara o imenso horror desta aflição: Se acaricio a chama clara, a chama queima a minha mão!” (Por Ascenso Ferreira) * A Chama (Narrado por Paulo Autran)

Soneto XVII (por Mario Quintana)

“Da vez primeira que me assassinaram Perdi um jeito de sorrir que eu tinha… Depois, de cada vez que me mataram. Foram levando qualquer coisa minha… E hoje, dos meus cadáveres, eu sou O mais desnudo, o que não tem mais nada… Arde um toco de vela, amarelada… Como o único bem que me ficou!…

Poema em Linha Reta (por Fernando Pessoa)

“Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo. E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil, Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita, Indesculpavelmente sujo, Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho, Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo, Que tenho enrolado…

Eu? Passarinho!

“Minha poesia sou eu mesmo, nunca escrevi uma linha sequer que não fosse uma confissão”, revela Quintana em uma das muitas entrevistas chatas que concedeu (quando invariavelmente lhe perguntava quantos livros escreveu, se a vida lhe trouxe satisfação e qual o recado que deixa aos moços). Mestre na arte de driblar a superficialidade levando a…

Meu (nosso) Quintana

MEU QUINTANA (por Manuel Bandeira) “Meu Quintana, os teus cantares Não são, Quintana, cantares: São, Quintana, quintanares. Quinta-essência de cantares… Insólitos, singulares… Cantares? Não! Quintanares! Quer livres, quer regulares, Abrem sempre os teus cantares Como flor de quintanares. São cantigas sem esgares. Onde as lágrimas são mares De amor, os teus quintanares. São feitos esses…

Velha História (Mario Quintana e Cláudia Jouvin)

Titulo do filme: VELHA HISTÓRIA Gênero: Animação Diretor: Cláudia Jouvin – RJ Roteiro: poema de Mario Quintana Ano: 2004 Duração: 6 min Cor: Colorido Bitola: 35mm Ficha técnica completa e premiação Velha História   Gênero Animação Diretor Cláudia Jouvin Ano 2004 Duração 6 min Cor Colorido Bitola 35mm País Brasil Local de Produção: RJ

Os Tweets do Passarinho Quintana

  Mário Quintana é dono de uma das poesias mais satiricômicas de que se tem notícia em nosso idioma. Não à toa nasceu em numa cidade de nome “Alegrete”, que anunciava o destino incontornável de seu estilo literário. Como eu, nunca casou: dizia preferir deixar várias mulheres esperançosas do que uma única infeliz. Um modo…