Eu? Passarinho!

“Minha poesia sou eu mesmo, nunca escrevi uma linha sequer que não fosse uma confissão”, revela Quintana em uma das muitas entrevistas chatas que concedeu (quando invariavelmente lhe perguntava quantos livros escreveu, se a vida lhe trouxe satisfação e qual o recado que deixa aos moços). Mestre na arte de driblar a superficialidade levando a realidade sempre para uma outra esfera, Quintana seguiu transformando a impalpável tristeza de simplesmente estar em alegria de poetar e sorrir. Sua obra é expressão de um ato sublimatório prototípico: traz o humor que descola do buraco negro da angústia, o humor que faz (como sugere Goethe) olhar e passar. Sozinho, residia em quartos e hotel, mas morava dentro de si mesmo (como costumava repetir). Protagonista de uma vida difícil soube como ninguém responder às demandas da vida com a melhor das poesias. Um de seus pontos de maior popularidade é o poemeto-tirada-máxima-haikai-koan-mínima criado após ser rejeitado pela terceira vez para compor a Academia Brasileira de Letras. Segue a chave da liberdade:

 

Clique para ouvir o Poeminha do Contra na voz do próprio Quintana

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Sobre Pedro Gabriel

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9 respostas para Eu? Passarinho!

  1. raffaella aureliano disse:

    ótimo aprender mais sobre esse gênio, quitana é simplesmente genial… o blog é maravilhoso, parabéns….

  2. Pingback: Enquanto houver Cecília… | lituraterre

  3. Carolis disse:

    Era meu poeminha favorito aos 15 anos (típica adolescência).
    A arte da animação é legal e a música linda.
    Prazer em conhecer seu blog, primeiro post que li, retornarei.

    • Pedro Gabriel disse:

      Prezada Ana Carol, mesmo em meus cabelos brancos esse ainda é um dos meus poemas favoritos, aquele que recito quando preciso de um pouco de ar. De fato a simplicidade do poema torna-o facilmente assimilável mesmo por crianças, mas ele porta uma sabedoria existencial de toda uma vida (além do seu valor estético inegável). Não nos envergonhemos de amar as coisas simples. Esse é o nosso Quintana. Volte sempre, será sempre bem vinda.

      • Carolis disse:

        Obrigada pelas belas palavras de reflexão, Pedro. Seu comentário inspirador me fez pensar que também posso lançar mão de Quintana hoje e não deixá-lo somente lá, no mofo da folha de rosto daquele velho diário.

        De toda maneira foi bom e saudoso resgatar a lembrança de como a irreverência deste poema vestia tão bem minha alma nos entraves da juventude.

        Até breve!

      • Pedro Gabriel disse:

        Carolis, uma alma revestida de Quintana é uma alma sem mofo e sem assombrações. Está vestida para qualquer situação. Obrigado pelos comentários.

  4. Débora disse:

    Fecunda rejeição, desprendimento em ser aceito, sem gaiola, passarinho… Enquanto Paulo Coelho ocupa lugar dentre os membros da academia brasileira de letras, os leitores dessa linda poesia de Quintana categoria aproveitam a arte nascida do bom rechaço.

    • Pedro Gabriel disse:

      Caríssima Débora, por um desses nós onde a virtualidade nos coloca, somente hoje, meses depois, noto e aprovo seu belo comentário acima. Já desde Heráclito sabemos que a morada habitual do homem é aquilo que o dilacera e divide. Paulo Coelho, ao contrário, na sua condição de boticário das almas, está na contramarcha dessa inspiração heraclitiano-psicanalítica colocando-se do lado do “para tudo tem remédio”. Ele evidentemente se acha uma versão espiritual de um bom analgésico, mas não passa de um sonrisal de placebo solúvel em vento. Obrigado pela visita. beijos.

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