Rondó do Capitão (por Manuel Bandeira)

“Bão balalão, Senhor capitão, Tirai este peso Do meu coração. Não é de tristeza Não é de aflição: É só esperança, Senhor capitão! A leve esperança, Senhor capitão! A leve esperança, A aérea esperança… Aérea, pois não! – Peso mais pesado Não existe não. Ah, livrai-me dele, Senhor capitão!” (Poema: Manuel Bandeira Imagem: Sísifo –…

Versos de Amor (por Augusto dos Anjos)

“Parece muito doce aquela cana. Descasco-a, provo-a, chupo-a . . ilusão treda! O amor, poeta, é como a cana azeda, A toda a boca que o não prova engana. Quis saber que era o amor, por experiência, E hoje que, enfim, conheço o seu conteúdo, Pudera eu ter, eu que idolatro o estudo, Todas as…

1938

Quando estudava Diplomacia em Londres, o poeta Vinícius de Moraes escreveu uma amargurada missiva à sua então noiva Tati de Moraes falando de seu confinamento na fria Inglaterra dos anos 30. Para o poeta, sua estadia era mais que um isolamento: era um cativeiro sombrio quase impossível de ser suportado longe das insígnias pátrias que…

Aos de Casa (por Vinícius de Moraes)

“Este caderno é meu. E é proibido Arrancar “issozinho” do caderno. Pra quem tiver a “ursada” cometido – – caldeiras de aço líquido – no inferno! Quem de “papel” tiver necessidade Por “aperto” ou razões outras quaisquer Há muitas papelarias na cidade Ou cá na Gávea mesmo se quiser. Mas bulir neste bloco eu não…

A Mó de Moinho e o Maquinismo Sujo do Amor

O ser humano nasceu para o fracasso. A glória o deturpa, desfigura. Qualquer mínima conquista (como dizia o Anjo Pornográfico) por menor que seja empalha o conquistador como se ele tivesse dentro de si algodão ao invés de vísceras vivas. No Grande Sertão, que como o nosso é mundo de muita doideira e pouca razão,…

Elegia (por Drummond)

“Ganhei (perdi) meu dia. E baixa a coisa fria também chamada noite, e o frio ao frio em bruma se entrelaçam, num suspiro.E me pergunto e me respiro na fuga deste dia que era mil para mim que esperava, os grandes sóis violentos, me sentia tão rico deste dia e lá se foi secreto, ao…

Um Pouco Antes (por Ferreira Gullar)

“Quando já não for possível encontrar-me em nenhum ponto da cidade ou do planeta pensa ao veres no horizonte (…) uma nesga azul de céu que resta alguma coisa de mim por aqui Não te custará nada crer que sorrio ainda naquela nesga azul celeste pouco antes de dissipar-me para sempre”. (por Ferreira Gullar: fragmento…