Tristeza no Céu (por Carlos Drummond de Andrade)

“No céu, também, há uma hora melancólica Hora difícil em que a dúvida penetra as almas Por que fiz o mundo? Deus se pergunta e se responde: “Não sei” Os anjos olham-no com reprovação e plumas caem Todas as hipóteses A graça, a eternidade, o amor, caem São plumas Outra pluma, o céu se desfaz…

A Noite Dissolve os Homens (por Drummond)

“A noite desceu. Que noite! Já não enxergo meus irmãos. E nem tão pouco os rumores que outrora me perturbavam. A noite desceu. Nas casas, nas ruas onde se combate, nos campos desfalecidos, a noite espalhou o medo e a total incompreensão. A noite caiu. Tremenda, sem esperança… Os suspiros acusam a presença negra que…

Bom Dia

CANÇÃO PARA ÁLBUM DE MOÇA (por Carlos Drummond de Andrade) “Bom dia: eu dizia à moça que de longe me sorria. Bom dia: mas da distância ela nem me respondia. Em vão a fala dos olhos e dos braços repetia bom-dia a moça que estava de noite como de dia bem longe de meu poder…

Aquela mulher do demo

Disponibilizei no post onde transcrevo o texto de Caso do Vestido o áudio da narração feita pelo próprio Drummond. Na narrativa grave de seu autor, sentimos pungentemente como a dona de longe, antes mergulhada em soberba, foi inteiramente desfalcada em nome do que fatalmente cede na continuidade do amor. “Eu não tinha amor por ele,…

Segredo (por Drummond)

“A poesia é incomunicável. Fique torto no seu canto. Não ame. Ouço dizer que há tiroteio ao alcance do nosso corpo. É a revolução? o amor? Não diga nada. Tudo é possível, só eu impossível. O mar transborda de peixes. Há homens que andam no mar como se andassem na rua. Não conte. Suponha que…

Obrigado

Tenho recebido generosíssimas apreciações sobre as postagens do meu blog que, já desde bem cedo, alcançou (ultrapassou, até) qualquer expectativa que eu pudesse ter em princípio. Chovendo mais um pouco no molhado do que sempre repito, construo o barro do sentido desse blog para nele atolarmos todos os nossos pés: esse espaço existe para tentar…

José, para onde?

Em ao menos dois intensos e pungentes momentos o grande itabirano viu-se encarnado em sua emblemática e imaginária figura José. Há um José em cada canto de nossa vida. De cada curva de nossa alma José nos espreita com olhos bem abertos sussurrando-nos em voz incompreensível sobre as recorrências da falência das lavras de ouro…