“O último dia do ano não é o último dia do tempo. Outros dias virão e novas coxas e ventres te comunicarão o calor da vida. Beijarás bocas, rasgarás papéis, farás viagens e tantas celebrações de aniversário, formatura, promoção, glória, doce morte com sinfonia e coral, que o tempo ficará repleto e não ouvirás o…
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Carta a Meu Filho (por Erich Kästner e Drummond)
“Afinal, eu quisera ter um filho Forte e inteligente como essas crianças de hoje. Só uma coisa me falta para esse menino. Falta-lhe apenas a mãe. Não é qualquer moça que serve para esse fim. Há longos anos eu a estou procurando. A felicidade é mais rara que os feriados, E tua mãe nada sabe…
Hunger ist Heilbar (por Erich Kästner e Drummond)
“O homem entrou no hospital e disse: “Não me sinto bem”. Então, extraem-lhe o apêndice e lavam-no com formol. “Sente-se melhor?” Responde: “Não. Mas os médicos dão-lhe coragem e cortam-lhe a perna esquerda, garantindo: “Agora vai ficar bom”. Continua a sofrer, no entanto, e enche de gritos o hospital. Para descobrir o que pode ser,…
Dia dos Professores com Drummond
“O professor disserta sobre ponto difícil do programa. Um aluno dorme, Cansado das canseiras desta vida. O professor vai sacudí-lo? Vai repreendê-lo? Não. O professor baixa a voz, Com medo de acordá-lo.”
Jayme Ovalle
Algumas figuras queridas, dessas que iluminam a noite em que a humanidade (e em particular a brasilidade) se afunda possuem menções desmerecidamente resumida por este blog. É certo que o tempo haverá de fazer justiça a estes amigos e que assim que eu me desvencilhar de um par de atribuições eles serão evocados com o…
Ascenso, o princípio
Ascenso Ferreira foi o responsável pelo meu primeiro alumbramento poético. Embora meu primeiro arrebatamento tenha se dado de maneira definitiva com João Cabral e sua poesia pluvial, minha alma aprendeu por primeiro a respirar sorvendo o sopro da poesia cotidiana do velho palmarense. Sua poesia pungente e divertida me apresentou em primeira mão (Freud, quando…
A Pedra e o Viúvo
Drummond entra na poesia com seu brilhante Alguma Poesia cuja publicação, datada de 1930, foi custeada com economias próprias. Nele ouve-se retumbante seu magnífico No meio do caminho, de longe, o poema dono da mais extensa fortuna crítica de nossa literatura. Mesmo estreante, o Gauche Itabirano não era propriamente um desconhecido ao quebrar seu cofre-porquinho…
O Homem, as Viagens (por Drummond)
* O Homem, as Viagens, escrito e narrado por Carlos Drummond de Andrade “O homem, bicho da terra tão pequeno Chateia-se na terra Lugar de muita miséria e pouca diversão, Faz um foguete, uma cápsula, um módulo Toca para a lua Desce cauteloso na lua Pisa na lua Planta bandeirola na lua Experimenta a lua…
O Medo (por Drummond)
“Em verdade temos medo. Nascemos no escuro. As existências são poucas; Carteiro, ditador, soldado. Nosso destino, incompleto. E fomos educados para o medo. Cheiramos flores de medo. Vestimos panos de medo. De medo, vermelhos rios Vadeamos. Somos apenas uns homens e a natureza traiu-nos. Há as árvores, as fábricas, Doenças galopantes, fomes. Refugiamo-nos no amor,…
Os Ombros Suportam o Mundo
* O texto, já publicado anteriormente, está disponível bem aqui.
