Extinção

“Tenho a suspeita de que a espécie humana – a única – está prestes a extinguir-se e que a biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta”. Jorge Luis Borges

Heidegger por Abujamra e Bacic

“Quando a tecnologia e o dinheiro tiverem conquistado o mundo; quando qualquer acontecimento em qualquer lugar e a qualquer tempo se tiver tornado acessível com rapidez; quando se puder assistir em tempo real a um atentado no ocidente e a um concerto sinfônico no oriente; quando tempo significar apenas rapidez online; quando o tempo, como…

Ascenso, o princípio

Ascenso Ferreira foi o responsável pelo meu primeiro alumbramento poético. Embora meu primeiro arrebatamento tenha se dado de maneira definitiva com João Cabral e sua poesia pluvial, minha alma aprendeu por primeiro a respirar sorvendo o sopro da poesia cotidiana do velho palmarense. Sua poesia pungente e divertida me apresentou em primeira mão (Freud, quando…

Arco-Íris (por Ascenso Ferreira)

“-Como é bonito! Como é bonito! Cheio de cores… cheio de cores… -Viva o Arco-Íris! – ecoa um grito. -Oh! Como é belo! Tem sete cores… -Está bebendo água no riacho! -Vamos cercá-lo… vamos cercá-lo -Vamos passar nele por baixo! -Vamos passá-lo… vamos passá-lo… -Fugiu do riacho… Subiu o monte… -Vamos pegá-lo… vamos pegá-lo… O…

O Medo (por Drummond)

“Em verdade temos medo. Nascemos no escuro. As existências são poucas; Carteiro, ditador, soldado. Nosso destino, incompleto. E fomos educados para o medo. Cheiramos flores de medo. Vestimos panos de medo. De medo, vermelhos rios Vadeamos. Somos apenas uns homens e a natureza traiu-nos. Há as árvores, as fábricas, Doenças galopantes, fomes. Refugiamo-nos no amor,…

Caminho de Casa

Sinto um ardor de amante pelo caminho que me leva à cidade onde nasci. Percorri tal caminho, transido de amor macio, durante as festas do Filho de Isabel – festa das fogueiras e luzes – em busca de alguma chama da perdida infância que porventura ardesse ainda. Nas veredas percorridas no intenso caminho interior que…

Fragmento de Nova Antologia Poética (por Quintana)

“Oh! aquele menininho que dizia “Fessora, eu posso ir lá fora?” Mas apenas ficava um momento Bebendo o vento azul… Agora não preciso pedir licença a ninguém. Mesmo porque não existe paisagem lá fora: Somente cimento. O vento não mais me fareja a face como um cão amigo… Mas o azul irreversível persiste em meus olhos.”

Cartas, Telegramas e outras Memórias

Organizando minha velha caixa de correspondência redescobri que, até a invenção de e-meio (o meio virtual composto por emails, blogs, microblogs, redes sociais e demais recursos que simulam uma proximidade que é, no máximo, meia) alguns dos eventos fundamentais da minha e de muitas vidas foram prenunciados por carta e anunciados pelo grave telegrama. Desde…

Devagar, o Tempo…

“Devagar, o tempo transforma tudo em tempo. O ódio transforma-se em tempo. O amor transforma-se em tempo. A dor transforma-se em tempo. Os assuntos que julgamos mais profundos, mais impossíveis, mais permanentes e imutáveis, transformam-se devagar em tempo. Por si só, o tempo não é nada. A idade de nada é nada. A eternidade não existe. No entanto, a eternidade existe. Os instantes…