Algumas figuras queridas, dessas que iluminam a noite em que a humanidade (e em particular a brasilidade) se afunda possuem menções desmerecidamente resumida por este blog. É certo que o tempo haverá de fazer justiça a estes amigos e que assim que eu me desvencilhar de um par de atribuições eles serão evocados com o…
Categoria: Procura da Poesia
Ascenso, o princípio
Ascenso Ferreira foi o responsável pelo meu primeiro alumbramento poético. Embora meu primeiro arrebatamento tenha se dado de maneira definitiva com João Cabral e sua poesia pluvial, minha alma aprendeu por primeiro a respirar sorvendo o sopro da poesia cotidiana do velho palmarense. Sua poesia pungente e divertida me apresentou em primeira mão (Freud, quando…
A Pedra e o Viúvo
Drummond entra na poesia com seu brilhante Alguma Poesia cuja publicação, datada de 1930, foi custeada com economias próprias. Nele ouve-se retumbante seu magnífico No meio do caminho, de longe, o poema dono da mais extensa fortuna crítica de nossa literatura. Mesmo estreante, o Gauche Itabirano não era propriamente um desconhecido ao quebrar seu cofre-porquinho…
Procura da Poesia (por Drummond)
“Não faças versos sobre acontecimentos. Não há criação nem morte perante a poesia. Diante dela, a vida é um sol estático, não aquece nem ilumina. As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam. Não faças poesia com o corpo, esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica. Tua gota de bile,…
Nova Poética (por Manuel Bandeira)
“Vou lançar a teoria do poeta sórdido. Poeta sórdido: Aquele em cuja poesia há a marca suja da vida. Vai um sujeito, Saí um sujeito de casa com a roupa de brim branco muito bem engomada, e na primeira esquina passa um caminhão, salpica-lhe o paletó ou a calça de uma nódoa de lama: É…
O Lutador (por Carlos Drummond de Andrade)
“Lutar com palavras é a luta mais vã. Entanto lutamos mal rompe a manhã. São muitas, eu pouco. Algumas, tão fortes como o javali. Não me julgo louco. Se o fosse, teria poder de encantá-las. Mas lúcido e frio, apareço e tento apanhar algumas para meu sustento num dia de vida. Deixam-se enlaçar, tontas à…
O Rio (por Manuel Bandeira)
Abaixo apresento aos meus leitores um outro rio. Não o rio espinha de peixe com padrão duro de poeta pretensa e mentirosamente anti-lírico, mas rio caudaloso de lirismo sobressalente e assumido. Em seu “Poética”, Manuel Bandeira se diz farto do lirismo comedido e bem comportado apelidado ironicoepifanicamente de “lirismo funcionário público com livro de ponto…
O Rio (por João Cabral de Melo Neto)
De uma recitação fluente e ritmada como o é o fluxo do rio, apresento João Cabral de Melo Neto, um dos maiores poetas de nosso e de todos os idiomas. Cabral é duro como a Pedra que sempre cantou. Dono de uma impertinente dor de cabeça que (em caráter emblemático) só o deixaria dormir em…
Relva Verde Relva (por Ferreira Gullar)
“Dentro de mim – mas onde? no céu da boca? debaixo da pele? – fulge de repente um largo verde esquecido dentro de mim ou fora (em algum lugar nenhum) de mim um largo como se fosse um lago e quase a transbordar de verde ouvia a miúda algazarra da relva rente ao chão ah…
Noite (in)Feliz
Natal: o carnaval dos ruídos. Minha alma cobriu aterrorizada seus castigados ouvidos primeiro diante das declarações que proclamam uma espécie de leilão de best wishes e depois (agora mesmo, pra ser mais preciso) ante o alarido dos rojões soltados à minha janela e que me privam do merecido sono que adiará por mais um ano…
