* Narração de Juca de Oliveira “As três mulheres do sabonete Araxá me invocam, me [bouleversam, me hipnotizam. Oh, as três mulheres do sabonete Araxá às 4 horas da tarde! O meu reino pelas três mulheres do sabonete Araxá! Que outros, não eu, a pedra cortem Para brutais vos adorarem, Ó brancaranas azedas, Mulatas cor…
Categoria: Poesia
Contra a foice do tempo é vão o combate
“Quando a hora dobra em triste e tardo toque E em noite horrenda vejo escoar-se o dia, Quando vejo esvair-se a violeta, ou que A prata a preta têmpora assedia; Quando vejo sem folha o tronco antigo Que ao rebanho estendia sombra franca E em feixe atado agora o verde trigo Seguir o carro, a…
Já que dura tão pouco a flor dos anos…
“Já Marília cruel, me não maltrata saber que usas comigo de cautelas, qu’inda te espero ver por causa delas, arrependida de ter sido ingrata Com o tempo, que tudo desbarata, teus olhos deixarão de ser estrelas; verás murchar no rosto as faces belas e as tranças d´oiro converter-se em prata. Pois se sabes que a…
Ascenso, o princípio
Ascenso Ferreira foi o responsável pelo meu primeiro alumbramento poético. Embora meu primeiro arrebatamento tenha se dado de maneira definitiva com João Cabral e sua poesia pluvial, minha alma aprendeu por primeiro a respirar sorvendo o sopro da poesia cotidiana do velho palmarense. Sua poesia pungente e divertida me apresentou em primeira mão (Freud, quando…
Arco-Íris (por Ascenso Ferreira)
“-Como é bonito! Como é bonito! Cheio de cores… cheio de cores… -Viva o Arco-Íris! – ecoa um grito. -Oh! Como é belo! Tem sete cores… -Está bebendo água no riacho! -Vamos cercá-lo… vamos cercá-lo -Vamos passar nele por baixo! -Vamos passá-lo… vamos passá-lo… -Fugiu do riacho… Subiu o monte… -Vamos pegá-lo… vamos pegá-lo… O…
Cinema (por Ascenso Ferreira)
“-Mas D. Nina, aquilo que é o tal de cinema? O homem saiu atrás da moça, pega aqui, pega acolá, pega aqui, pega acolá, até que pégou-la. Pegou-la e sustentou-la! Danou-lhe um beijo, danou-lhe um beijo!… Depois entram pra dentro dum quarto! Fêz-se aquela escuridão e só se via o lençol bulindo… ……………………………………. -Me…
Breve Ponderação sobre o Trem de Ascenso
Composto com a mesma cadência do som do comboio arrastando-se melodiosamente pelos trilhos, o poema de Ascenso além da beleza prosódica traz o registro de um mundo lindo que não mais existe. O entremeio obscuro (entre os iluminados das cidades) onde cabiam suposições mágicas de Caiporas e Pais-da-Mata foi substituído por um universo de certezas…
Filosofia (por Ascenso Ferreira)
* Filosofia (Narrado por Chico Anysio) “Hora de comer — comer! Hora de dormir — dormir! Hora de vadiar — vadiar! Hora de trabalhar? — Pernas pro ar que ninguém é de ferro!”
Poesias em Áudio de Ascenso Ferreira
Iniciando as homenagens ao meu querido Ascenso, figura já tão presente neste Blog, atualizei duas postagens anteriores acrescentando-lhes o áudio da narrativa dos poemas trazidos pelos posts (os poemas A Chama e Nordeste). Para conferir novamente tudo o que já se disse por essas terras liturais sobre Ascenso Ferreira clique aqui. Ainda hoje mais da…
A Pedra e o Viúvo
Drummond entra na poesia com seu brilhante Alguma Poesia cuja publicação, datada de 1930, foi custeada com economias próprias. Nele ouve-se retumbante seu magnífico No meio do caminho, de longe, o poema dono da mais extensa fortuna crítica de nossa literatura. Mesmo estreante, o Gauche Itabirano não era propriamente um desconhecido ao quebrar seu cofre-porquinho…
