Escricantores: James Joyce no Sertão de Guimarães Rosa

Emito aqui uma promissória para meus leitores: trazer a este blog algo sobre a relação entre James Joyce e Guimarães Rosa. Abro, entretanto, vosso apetite (que espero ser voraz) com dois fragmentos de O Burrinho Pedrês, texto de Sagarana, do nosso profeta mineiro e um de James Joyce. Todos bem expressivos do estilo que sustenta…

Palhaço (executado por Baden Powell)

“Sei que é doloroso um palhaço Se afastar do palco por alguém Volta, que a plateia te reclama Sei que choras palhaço Por alguém que não lhe ama. Enxuga os olhos E me dá um abraço Não te esqueças Que és um palhaço Faça a plateia gargalhar Um palhaço não deve chorar.” (Música de Oswaldo…

Feliz JazzTown

Como última postagem do odioso Natal, celebração da culpa onde uma amarga tristeza se traveste de uma caricata alegria e um recitado sentimento de confraternização universal que se contradiz a cada mínimo gesto, apresento o Jazz, sempre ele, sobretudo ele a nos curar. Trago três faixas temáticas de minha maior predileção. Iniciando com Charlie Parker,…

O Herói Sujo

A echarpe e o chapéu coco seriam insuficientes, mas eram todo o arsenal de que Olia Ginsburg dispunha para lutar contra o inverno parisiense que naquele ano havia reinado rigoroso pelos domínios gauleses. Com estes atravessara a cidade em direção a um prédio abandonado em Pigalle, quartier do baixo meretrício, movida pelo resoluto intuito de…

A Casa do Tom Jobim

CHAPADÃO (Tom Jobim) “Vou fazer a minha casa No alto do chapadão Vou levar o meu piano Que ficou no Canecão Vou fazer a minha casa No alto do Chapadão Vou levar Don’Aninha Pra me dar inspiração Vou fazer a minha casa No alto de uma quimera Vou criar um mundo novo Vou criar nova…

O Elixir do Amor (fragmento)

“Belo repouso o do ceifeiro! Quando o sol mais ferve e escalda, sob uma faia, aos pés de uma colina, repousar e respirar!  O vivo ardor do meio-dia é apaziguado pelas sombras e pelos rios que correm; mas a chama ardente do amor nem sombra, nem rio podem apaziguar. Afortunado seja o ceifeiro que dele…

Zorba: vida, morte e liberdade

Ontem, em conversa breve de corredor, uma alma generosa de fala macia tentou me consolar falando sobre o alívio que é terminar o mestrado. Posteriormente, digerindo seu convite à paciência, me recordei de uma leitura antiga que gravou na minha mente o que seria a imagem perfeita da liberdade. O fragmento é de “Zorba, o…

Calabar

“Meu coração tem um sereno jeito, E as minhas mãos o golpe duro e presto. De tal maneira que, depois de feito Desencontrado, eu mesmo me contesto. Se trago as mãos distantes do meu peito, É que há distância entre intenção e gesto. E se o meu coração nas mãos estreito, Me assombra a súbita…