Modesto, Kafka

Schopenhauer diz que, fundamentalmente, “a tarefa do escritor de romances não é narrar grandes acontecimentos, mas tornar interessantes os pequenos”. Nada mais apropriado para se dizer do escritor tcheco Franz Kafka que construiu, ao longo de sua obra que cresceu em silêncio sob o manto do mais completo desconhecimento, personagens que “não sabiam do que se tratava”. Não bastasse o inestimável valor estético de sua obra, conhecê-la ainda traz para nós, felizes brasileiros, esse traço de identificação com o personagem típico kafkiano. A vida nesse difícil país é marcada por essa experiência, as pessoas que se embatem de modo solenemente solitário nesse váculo imenso que chamamos metrópole simplesmente não sabem do que isso se trata: marcham ignotas das questões mais fundamentais da existência vivendo como animais.  Não me estenderei no comentário de Kafka (suponho que este nome dispensa maiores apresentações) e em troca disso emito agora mais um  cheque que não sei quando este blog pagará: voltarei ainda a Kafka posteriormente. Esse post na verdade, tem o intuito de compartilhar com vocês a excelente participação de Modesto Carone no programa Provocações na TV Cultura.  Modesto, sem deixar de assim o ser, trauduziu a obra de Kafka do original para o nosso vernáculo compondo uma obra admirável. Abaixo Modesto por Modesto provocado por um Abujamra de garras cortadas.

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Sobre Pedro Gabriel

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3 respostas para Modesto, Kafka

  1. As pessoas mais interessantes nessa vida não falam sem parar, apenas o necessário. Engraçado como as verdadeiras estrelas nunca precisaram de holofotes, apenas fizeram o que amam, cabe a todos citados no seu texto.

    • Pedro Gabriel disse:

      Caro poeta, vejo a questão por outro lado. Muitos artistas procuraram (e bem) a glória. Ocorre-me agora o espanhol Salvador Dali (também autor de uma excelente obra) que certa noite chegou a sair nú pela noite gelada de Paris agitando uma matraca e dizendo: “Moi, je suis Dali”, clamando por atenção. Outro exemplo que me ocorre foi o falastrão Sartre (que adorava um microfone) que, mesmo como filósofo, chegou a ser um dos homens mais famosos da terra. Caetano, adolescente, em Santo Amaro da Purificação (sertão da Bahia) conhecia e queria imitar Sartre. Outros como Kafka e Van Gogh só obtiveram reconhecimento após suas mortes. Parece não haver padrão para o talento em termos de expectativa de reconhecimento. Grande abraço.

  2. Pingback: O meu próprio Rio | lituraterre

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