Tempo de Carnaval, Restos de Cronos

Herdamos dos gregos (na leitura que deles fizeram os filósofos do medievo) a noção que guardamos de tempo e seus atributos necessariamente quantificáveis, métricos, mensuráveis. No dia-após-dia, residência do tédio conforme o Rei Macbeth, o tempo transcorre como coisa material que se perde e se gasta, imagem cuja metáfora primordial é uma ampulheta com seus…

Considerações Sobre a Poiesis

“Me dêem algum céu em fogo, Neve em dia de verão. Me dêem vidas em jogo. Rastros de morte no chão. Amores com ousadia. Frisson de riscos de giz. Que eu faço uma poesia. Ué, já fiz.” (Millor Fernandes, Poemeu) Há na poesia, costumava dizer Drummond, evidentemente quando vivo, o encanto de uma fantasia que se cristaliza…

O Rio de Manuel Bandeira e a Apophasis da Noite

Abaixo, narrado pela voz calejada do caminho que nunca lhe levou à Passárgada, Manuel Bandeira nos apresenta um roteiro de travessia para quando a noite vem. A poesia é antes de mais nada uma via de reconciliação com as nossas paisagens interiores, uma picada aberta nas nossas veredas mais intransponíveis. A poesia nos move, nos…