Fotobiografia dos Anos de Exílio de Fernando Pessoa

Pessoa com sua mãe

Fernando António Nogueira Pessoa nos braços de sua amadíssima mãe, Maria Magdalena Pinheiro Nogueira. Nasceu em Lisboa em 13 de Junho de 1888, precisamente às 15h20, no Largo de S. Carlos.

“A minha infância decorreu serena (…), recebi uma boa educação. Mas, desde que tenho consciência de mim mesmo, apercebi-me de uma tendência nata em mim para a mistificação, para a mentira artística. Junte-se a isto um grande amor pelo espiritual, pelo misterioso, pelo obscuro, que, ao fim e ao cabo, não era senão uma forma e uma variante daquela outra minha característica, e a minha personalidade será completa para a intuição.”
Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação. Fernando Pessoa. (Textos estabelecidos e prefaciados por Georg Rudolf Lind e Jacinto do Prado Coelho.) Lisboa: Ática, 1966. p. 12

pessoa-3-anos

Pessoa aos 3 anos de idade.

“Desde criança tive a tendência para criar em meu torno um mun­do fictício, de me cercar de amigos e conhecidos que nunca existi­ram. (Não sei, bem entendido, se realmente não existiram, ou se sou eu que não existo. Nestas coisas, como em todas, não devemos ser dogmáticos.) Desde que me conheço como sendo aquilo a que cha­mo eu, me lembro de precisar mentalmente, em figura, movimen­tos, caráter e história, várias figuras irreais que eram para mim tão visíveis e minhas como as coisas daquilo a que chamamos, porventura abusivamente, a vida real.”
(Fragmento de Carta a Adolfo Casais Monteiro, Lisboa, 13 de laneiro de 1935)

Joaquim de Seabra Pessôa, crítico musical em Lisboa e pai de Fernando Pessoa.

Joaquim de Seabra Pessôa, crítico musical em Lisboa e pai de Fernando Pessoa.

“Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia, não há nada mais simples. Tem só duas datas – a da minha nascença e a da minha morte. Entre uma e outra todos os dias são meus.”
Fernando Pessoa/Alberto Caeiro; Poemas Inconjuntos; escrito entre 1913-15; publicado em Atena nº 5 em Fevereiro de 1925.

Pessoa_1894 - 6 anos

Pessoa em 1894, então com 6 anos quando se lhe falece o pai vítima fatal de tuberculose. No ano seguinte escreverá sua primeira quadra e criará seu primeiro heterônimo que lhe escrevia cartas em francês

“Lembro, assim, o que me parece ter sido o meu primeiro heterô­nimo, ou, antes, o meu primeiro conhecido inexistente — um certo Chevalier de Pas dos meus seis anos, por quem escrevia cartas dele a mim mesmo, e cuja figura, não inteiramente vaga, ainda conquista aquela parte da minha afeição que confina com a saudade. (…) Esta tendência para criar em torno de mim um outro mundo, igual a este mas com outra gente, nunca me saiu da imaginação.”
(Fragmento de Carta a Adolfo Casais Monteiro, Lisboa, 13 de laneiro de 1935)

Casal_pessoa

A mãe casa-se pela segunda vez em 1895 por procuração, na Igreja de São Mamede, em Lisboa, com o comandante João Miguel Rosa, cônsul de Portugal em Após o falecimento de Joaquim, Maria Magdalena casa-se novamente no ano seguinte por procuração, na Igreja de São Mamede, em Lisboa, com o comandante João Miguel Rosa, que ocupava o posto de cônsul de Portugal em Durban na África do Sul. Maria Magdalena o havia conhecido um um ano antes e aceita seu convite partindo em seguida para África, que é onde Pessoa passa a maior parte da sua juventude recebendo educação inglesa. Na primeira quadra escrita por pessoa nesse ano de 1895 ele fala do sentimento de imigrante de saudade da terra pátria. Em Durban Pessoa ganhará 5 irmãos

“À minha mamã:
Ó terras de Portugal
Ó terras onde eu nasci
Por muito que goste delas
Ainda gosto mais de ti.”
(Citado por João Gaspar Simões, um de seus principais biógrafos, afirmando ser este o batismo poético de Pessoa. In. Vida e Obra de Fernando Pessoa: História de uma Geração. Lisboa: Bertrand, 1951. pp.57-58)

 

Fernando Pessoa - Criança em Durban - África do Sul

Fernando Pessoa no Liceu de Durban onde esturara

“A primeira nutrição literária da minha meninice foi a que se encontrava em numerosos romances de mistério e de aventuras horríveis. Pouco me interessavam os livros ditos para rapazes e que relatam vivências emocionantes. Não me atraía a vida saudável e natural. Anelava, não pelo provável, mas pelo incrível, nem sequer pelo impossível em grau, mas sim pelo impossível por natureza.”
Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação. Fernando Pessoa. (Textos estabelecidos e prefaciados por Georg Rudolf Lind e Jacinto do Prado Coelho.) Lisboa: Ática, 1966.

Pessoa na escadaria de sua casa em Durban com sua mãe, seu padrasto e três de seus cinco irmãos

Pessoa na escadaria de sua casa em Durban com sua mãe, seu padrasto e três de seus cinco irmãos

“Bom foi para mim e para os meus que até à idade de quinze anos permaneci sempre em minha casa entregue sem revolta à minha velha maneira de ser reservada. A essa época, contudo, fui enviado para uma escola longe de casa e então o novo ser que eu tanto temia se manifestou e tomou forma humana”.
(Fernando Pessoa, Fragmentos sem Data)

Em 1905, com aproximadamente 17 anos, Pessoa regressa a Lisboa

Em 1905, com aproximadamente 17 anos, Pessoa regressa a Lisboa e passa a publicar em jornais poemas em inglês com o heterónimo Alexander Search. Ele próprio viria a escrever o necrológio de seu Heterônimo: “Aqui jaz quem julgou ser o melhor de todos os poetas deste vasto mundo. Aqui jaz Alexander Search,Que Deus e os homens deixaram só, Que sofreu e chorou ser escárneo da natureza.Recusou o Estado, recusou a igreja, Recusou Deus, a mulher, o homem e o amor, Recusou a terra em volta e o céu além. Resumiu assim o seu saber: (…) amor não há e nada no mundo existe de sincero salvo a dor, o ódio, a luxúria e o medo.”

“Jamais houve alma mais amante ou terna do que a minha, alma mais repleta de bondade, de compaixão, de tudo o que é ternura e amor. Contudo, nenhuma alma há tão solitária como a minha — solitária, note-se, não mercê de circunstâncias exteriores, mas sim de circunstâncias interiores. O que quero dizer é: a par da minha grande ternura e bondade, entrou no mau carácter um elemento da natureza inteiramente oposto, um elemento de tristeza, egocentrismo, portanto de egoísmo, produzindo um efeito duplo: deformar e prejudicar o desenvolvimento e a plena acção interna daquelas outras qualidades, e prejudicar, deprimindo a vontade, a sua plena acção externa, a sua manifestação. Hei-de analisar isto; um dia hei-de examinar melhor, destrinçar, os elementos que constituem o meu carácter, pois a minha curiosidade acerca de tudo, aliada à minha curiosidade por mim próprio e pelo meu carácter, conduz a uma tentativa para compreender a minha personalidade.”
Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação. Fernando Pessoa. (Textos estabelecidos e prefaciados por Georg Rudolf Lind e Jacinto do Prado Coelho.) Lisboa: Ática, 1966. p.6.

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Sobre Pedro Gabriel

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