
Disponibilizei no post onde transcrevo o texto de Caso do Vestido o áudio da narração feita pelo próprio Drummond. Na narrativa grave de seu autor, sentimos pungentemente como a dona de longe, antes mergulhada em soberba, foi inteiramente desfalcada em nome do que fatalmente cede na continuidade do amor. “Eu não tinha amor por ele, ao depois o amor pegou”, fato que inverteu os papéis de romeiro e romaria. O amantes odeiam-se por não saber brincar de amor. Este vem se impondo no ocidente, desde sua invenção, como uma porta que se abre para uma outra sala. Atravessar a porta é o primeiro passo, outros são necessários. A convivência não se esgota no reluzente da presença e o vestido dependurado jaz como cadáver desse falso amor. Corpo, corpo, corpo. Amor é incompatibilidade de almas surdas. Silenciando-as resta o corpo, resta o amor e aquilo que pode surgir de magnífico para além de qualquer casulo narcísico. Amor. Liberdade. Amor.
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