Saber Perder

graciliano“O romance é uma forma superior de vida”, afirma Graciliano Ramos pouco antes de morrer. Com ele concordaria Mario Vargas Llosa para quem o romance possui uma dimensão reparadora do que há de naturalmente deficitário no percurso humano. Para o peruano, é prejudicial qualquer dimensão restritiva nas narrativas romanescas que devem tudo caber: o melhor e o pior, o excelente e também o vergonhoso, visto que a arte é dotada de uma dimensão de ensaio do futuro. Sendo assim, as grandes narrativas não somente respondem por uma solução de continuidade histórica (capturando o espírito profundo de uma época) como é também são hábeis em desenhar formas superiores e aperfeiçoadas da vida que não ocorre sem trombadas. Há aí uma bela e inteira teoria literária. Eis a superioridade da literatura: diante de uma vida que continuamente se perde, de um decréscimo constante ao que Drummond chamou de um “desmonte palmo a palmo” rumo à nossa inevitável vocação de planície, os romances são acréscimo. A vida é trágica e não há outro modo de compreendê-la a não ser pela via da tragédia. Isso garantem ao menos meia dúzia dos melhores homens que a História já produziu. Bastaria a experiência da morte para imprimir na vida seu indelével trágico. Além dela, existem as diárias perdas para as quais deve estar nutrida de beleza e imaginação literária a nossa frágil alma. Se as grandes narrativas romanescas são aquilo que literariamente se opõem à morte, a poesia (ao lado do chiste) é o que se opõe ao tropeço e ao anzol. Os imortais versos de Elizabeth Bishop são perfeito exemplo do passar adiante promovido pelas construções poéticas.

 

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ONE ART (Poema de Elizabeth Bishop)

The art of losing isn’t hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.

Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn’t hard to master.

Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.

I lost my mother’s watch. And look! my last, or
next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn’t hard to master.

I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn’t a disaster.

—Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan’t have lied.  It’s evident
the art of losing’s not too hard to master
though it may look like (Write it!) like disaster.

 

A ARTE DE PERDER (Tradução de Paulo Henriques Brito)

A arte de perder não é nenhum mistério;
Tantas coisas contêm em si o acidente
De perdê-las, que perder não é nada sério. Perca um pouquinho a cada dia.
Aceite, austero, A chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Depois perca mais rápido, com mais critério:
Lugares, nomes, a escala subseqüente Da viagem não feita.
Nada disso é sério.
Perdi o relógio de mamãe.
Ah! E nem quero Lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Perdi duas cidades lindas.
E um império Que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles.
Mas não é nada sério.
– Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo que eu amo) não muda nada.
Pois é evidente que a arte de perder não chega a ser mistério por muito que pareça (Escreve!) muito sério

 

bishop

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Marx, Freud e Nietzsche: revolução ou subversão

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“Mon devoir est de parler, je ne veux pas être complice.” (Émile Zola)

“Meu dever é falar, não quero ser cúmplice.” (…) (Émile Zola)

Não são poucas as passagens onde Freud e Lacan apontam o fundo homicida por trás dos messianismos políticos, hipótese que o século XX atesta assinando com o sangue de milhões de civis. Não supondo que a humanidade houvesse jamais subido ao patamar civilizacional por ela própria alardeado, Freud, sofrendo os horrores da guerra, não supunha estar diante de uma humana derrocada. Sábio que era, não analisava primariamente a história por meio das ingênuas categorias de “avanços” e “retrocessos”. Proclamou-se portanto não uma vítima da opressão histórica que esmaga minorias judaicas, mas da violenta condição que nos assola a todos e, sendo uma vítima da humanidade, era portanto vítima também de si mesmo. Eis a genialidade de Freud alcançando o seu cume: a descrição dual das razões de nossa conduta, cuidadosamente descritas no decorrer de sua obra, fazia com que analisasse estoica e aHistóricamente o período que, para ele, se configurava como uma repetição: mais uma curva do nosso cíclico percurso.

Compreender de outra forma a agressividade ou a tirania das massas atribuindo nosso desacerto a um momento específico da História, à perseguição de grupos, a um sistema econômico específico ou a determinados papéis sociais seria, para Freud, o cerne do engodo do qual padece nossa carência de lucidez. Uma pletora de imaginário a qual a Psicanálise é, aliás, seu atravessamento. A Psicanálise, ao contrário das teorias de Massa, sugere, pela pena do próprio Freud, que o analista se faz não nos enganos da transferência ou numa compaixão injustificada que molda a realidade à guisa de conveniências, mas no seu amor à verdade: “E, finalmente, não devemos esquecer que o relacionamento analítico se baseia no amor à verdade – isto é, no reconhecimento da realidade – e que isso exclui qualquer tipo de impostura ou engano.” (FREUD, 1937, Análise Terminável e Interminável, p. 160).

No caso de Lacan, a descrença no ideal revolucionário é ainda mais claro. O filho de vinagreiros textualmente nomeia o que Freud deixa subentendido, apontando que o marxismo é uma mentira a qual não devemos ceder no amor à verdade que é o que funda a Psicanálise.  Ela, a Psicanálise, é incongruente com o imaginário de uma redenção social e o bem suposto em ações. Em um importante seminário dedicado ao “Ato Psicanalítico”, Lacan exaustivamente traçará a distinção entre a “revolução” (pensada pela lógica do marxismo) e a “subversão” que é o que se propõe obter de uma psicanálise. Enquanto a revolução (lembra Lacan) remete ao termo latino medieval revolutĭonis (dar um giro e voltar ao mesmo lugar) a subversão (também do romano idioma subversĭonis) significa “refundar”. Só a subversão comporta algo de verdadeiramente novo. Somente ela corresponde à Psicanálise.

No ano seguinte, no seminário que se sucede, dirá: “Essa é da minha lavra. Evoca o crocodilo e a lama em que ele se banha, bem como o fato de que, com uma lagrima delicada, ele nos atrai para seu mundo benevolente. Encontrei Mudger Muddle na calyada do bulevar Saint-Germain. Ele me disse que vinha investigando a teoria marxista e estava inundado pela felicidade que tudo aquilo exalava. Mas não lhe havia ocorrido a ideia de que a felicidade pode provir da greve da verdade. Considerando o peso com que a verdade recai sobre nós a cada instante de nossa existência, que felicidade, sem dúvida, já não ter com ela senão uma relação coletiva!” (Jacques Lacan – Seminário 16, 2008, p.42). No ano seguinte ao do seu embate com Mudger Muddle, em seu posterior seminário irá se encontrar com Daniel Cohn-Bendit. Diante dos efeitos do Maio de 68, dirá que esse ideal de revolução funda-se em uma carência paterna e é, por pensar o mundo unicamente pela via do imaginário, o avesso da Psicanálise. Três anos mais tarde anunciará, no que talvez seja seu mais brilhante seminário, a verdadeira economia que rege nossas relações: o usufruto do amor que não pode deixar de demandar amor. Mais… ainda… Encore.

Em “A Lógica da Fantasia/Fantasma” Lacan proferirá: “Não digo ‘a política é o inconsciente’, mas simplesmente ‘o inconsciente é a política’”. Os analistas estão na cidade? É discutível. Entendo que Lacan apontava que o Inconsciente é a política no sentido de que ela se configura (como afirma Marcel Gauchet) como o lugar da fratura da verdade. Não afirma que toda a política está reduzida ao inconsciente, mas remonta aí uma das hipóteses de sua estrutura de guerra, remontando à tese freudiana defendida na “Psicologia das massas…” em que trata das formações coletivas como formações do inconsciente: fenômenos que partilham uma identificação comum, fonte de tanta agressividade, esmagamentos e negação do desejo. Nesse sentido, salvar o mundo confundiria-se com odiá-lo porquanto desconhecê-lo.

Embora tais referências sejam claras, são outrossim desnecessárias para fazer-nos concluir que há uma incompatibilidade de base entre as propostas revolucionárias e a Psicanálise, visto que opõem-se frontalmente os pressupostos de um Inconsciente (Freud e Lacan) e de uma Superestrutura (Marx e Engels): os inconciliáveis epicentros das duas leituras de mundo. Para o materialismo dialético, dirá Marx em um par de textos, não há lugar para a ideia de subjetividade.

Ademais, a mentira e o engano, categorias que se opõem a uma análise, surgem largamente no ideário revolucionário ao supor a História não como um circuito de giros, mas um vetor orientado por “avanços” e “retrocessos” como se cada tempo herdasse de toda a história o conjunto de construções que a precederam. Nada poderia ser mais facilmente evidenciado como falso. Pouco ou nada herdamos do essencial dos tempos que nos precederam que não operam cumulativamente em nós e são recordados muito mais num esforço contestação que de observância. Cabe lembrar que “ciência”, “verdade” e “lógica” são entendidas pelo marxismo como conveniências burguesas a serem superadas por uma impalpável evolução dos povos e a chegada do que chamam messianicamente de “o novo homem”. Para eles, como lidamos com o “velho homem”, as categorias de “mentira”, “engano” e “violência produtiva” são perfeitamente autorizadas e integradas ao marxismo na qualidade de ferramentas políticas úteis. Úteis no sentido de esmagar o homem presente (enganá-lo, violentá-lo, agredi-lo) para que de seus escombros surja o tal novo homem. Tais ideias não são conjecturas ou interpretações dilatadas: tudo está despudoradamente descrito com uma aterradora clareza em autores de base como Trotsky, Gramsci, Lênin dentre outros.

Retomando a ideia do curso histórico, ao contrário dos revolucionários, Claude Lévi-Strauss demonstrará com rigor que somente herdamos pequenos aspectos da etapa imediatamente anterior e questionará com veemência essa herança (platônica porquanto cristã) de uma perfectibilidade histórica, dos tais “avanços” em nome dos quais se adere a um ideal que é hoje claramente inviável:

“O desenvolvimento dos conhecimentos pré-históricos e arqueológicos tende a desdobrar no espaço formas de civilização que éramos levados a imaginar como escalonados no tempo. Isto significa duas coisas: inicialmente, que o “progresso” (se é que este termo ainda convém para designar uma realidade bem diferente daquela à qual nos dedicamos inicialmente) não é nem necessário, nem contínuo; procede por saltos, pulos, ou, como diriam os biólogos, por mutações. Esses saltos e pulos não consistem em ir sempre além na mesma direção; acompanham-se de mudanças de orientação, um pouco à moda do cavalo de xadrez, que tem sempre diversas progressões à disposição, mas nunca no mesmo sentido. A humanidade em progresso em nada se parece com um personagem subindo a escada, acrescentando por cada um de seus movimentos um novo degrau a todos os outros que já tivesse conquistado; evoca antes o jogador, cuja chance está dividida em muitos dados e que, cada vez que os lança, os vê se espalharem no pano, ocasionando contas bem diferentes. O que se ganha num lance se arrisca a perder no outro, e é apenas de um tempo a outro que a história é cumulativa, isto é, que as contas se somam para formar uma combinação favorável.” (Lévi-Strauss, Claude. Raça e História. In: Raça e Ciência. v. 1. São Paulo: Perspectiva, 1970. p. 245.

Nietzsche, chamado por Freud de “o primeiro psicanalista”, em sua Genealogia da Moral comentará que uma da sombras nas quais o moralismo se esconde é numa visão vetorial da História. Para ele, se entendemos a História como um movimento de “avanços” e “retrocessos”, onde as pessoas por meio de uma organização social e da manutenção de um constante debate vão, pela força do esclarecimento, refazendo representações e tornando “melhor” e mais “avançado” o mundo, estamos pensando a realidade ainda por meio da religião no sentido que essa visão da História comporta como operadores de base as mesmas constantes do Medievo: o bem e o mal. Foi a Igreja medieval, aliás, quem criou a ideia de que “a humanidade AVANÇA, dirigida pela Providência Divina, de sua juventude (caracterizada pela ausência de lei), à sua idade adulta, para ter acesso, enfim, à era da Graça” (disse Santo Agostinho em “A Cidade de Deus”). Eis aí a origem da ideia de um “novo homem”.

A crença na existência de um progresso Histórico e de agentes promotores de “avanços” está estreitamente vinculada a um sentido positivo (não estático ou cíclico) conferido ao tempo. A ideia de que a idade de ouro não reside na origem da humanidade, mas em seu futuro é iminentemente religiosa e (conclui Nietzsche) moralista porque nos autoriza a odiar o homem presente (adjetivado de racista, machista, elitista ou qualquer outra pecha que nosso narcisismo moralista aprendeu a detestar em tom alérgico) em nome do homem futuro que só existe num hipotético fim da História. Eis a sede da mentira denunciada por Freud e absolutamente incompatível com a Psicanálise: a violência vem do macho, vem do capitalismo, vem da “elite branca”. Spinoziano e schopenhaueriano, Freud não se fará cego ao trilho de ódio sobre o qual invariavelmente caminha a humanidade, nem pensará religiosamente num fim da história que somente chegará por meio de uma implantação de um modo ótimo de habitar o espaço público: única cadeia possível de causas que compõem a teia de mudanças significativas em movimento. O psicanalista é um anti-cidadão. Há que se sustentar a dura verdade de que o Estado é (grande) parte desse problema.

Eis o marxismo: uma reedição das rivalidades fraternais que ganha força com o declínio do viril e a vulgarização do que chamamos de político.

Outro aspecto inconciliável do marxismo reside em pensar, na marcha que se imagina para o final da história em que o Partido é o único veículo seguro, que o desejo não possui autoria singular, mas é formado por uma resultante de instâncias históricas (papéis, preconceitos, comandos, pedagogias) que desejam em nós ou que nos atravessam. Em uma clara herança rousseauniana, pensa-se o homem como dotado de uma essência graciosa e qualquer vício implantado pela má educação. Somente a partir disso é que podemos afirmar a grande mentira de nosso tempo: a enunciação de que não desejamos a não ser em coletivos. O que pode ser mais avesso à Psicanálise do que um modelo assistencial voltado ao “empoderamento” e não à “vontade de potência”? O contrato social de Rousseau é, para nós, um contra-ato: um contra ato psicanalítico. A psicanálise não é o lugar de suturar a impotência, mas de se lidar com o impossível: o impossível da não relação sexual.

Eis os avessos. Eis os inconciliáveis: Abel e Caim; Chan e Chen. A ideia de que somos efeito de uma pedagogia histórica e do conjunto das forças materiais que nos determinam como sujeitos históricos (a tal superestrutura) é imcompatível com a hipótese de um inconsciente que é fundamentalmente um furo no saber e a possibilidade de singularidade radical; ou sou “eu e minhas circunstâncias” ou sou “eu no campo da falta do grande Outro”. Não há meio termo e são evidentes os perigos de uma política do imaginário, do ressentimento, das emoções violentas, da “revolução” que faz da verdade um objeto de contrato, da vitimização histórica.

Se há alguma política passível de ser pensada a partir da Psicanálise (não sem problemas) seria antes de mais nada aquela que expressasse os valores que organizaram a vida de Freud e foram por ele claramente professados: a responsabilização, a individualização e a construção de um legado de sabedoria entendida como amor à letra, de ordem entendida como previsibilidade e imaginação criativa dos quais (mesmo em nome de uma improvável redenção do mundo) nunca deveríamos ter abdicado.

Por que escolho tal data e tal tema para reativar este blog?

A resposta é óbvia e remete ao pleito que está em curso em nosso país.

Do ponto de onde vejo, entendo como urgente um voto que encerre o ciclo que nos assola e afirmo isso em nome dos imensos problemas presentes em uma política minimamente marxista e que os autores por mim evocados demonstram.

O que chamo aqui de ciclo de mentiras não se refere às acusações eleitorais, tão fartas e oriundas de ambos os lados, tampouco à propaganda de baixo nível agenciada por militantes e militâncias de todas as cores.

Refiro-me à mentira que Marx, Trotsky e Gramsci falsamente ensinaram ser legítima arma política. Refiro-me à mentira da negação dos processos de diferenciação e da hierarquia como momentos existenciais, sendo falsamente postos como efeito de um determinado sistema e problemas a serem erradicados. O discurso contra a desigualdade é sobretudo um discurso contra a natureza que se encarrega de espontâneos processos de diferenciação que fazem com que nenhum evento no tempo seja repetido ou repetível. Esta é a mentira a qual me refiro: à mentira da ausência de distinção entre narrativas, à mentira de um desamor à letra, ao debate não viciado, ao respeito às diferenças, tão espezinhada em todos os momentos onde o marxismo minimamente se instalou.

Em que pese o capitalismo e seu discurso, dentre uma lista infindável de esmagamentos, foracluir as coisas do amor, opor-se a ele não deve ser feito às custas da mentira de que, para se promover uma suposta reparação histórica, a verdade possa ser uma mera alegoria: mais um despojo em uma mesa de negociações.

Para o bom voto, há que se analisar o quão dependentes nos tornamos do Estado. Há que se analisar as raízes desse desejo de tutelagem que Nietzsche tão bem denunciou em sua obra magnífica.

Embora não tenha ilusões românticas de que a nossa atual opção ao partido governista seja ideal, entendo como urgente que se cesse o ciclo do PT em nosso país e, com ele, um modo de se pensar a população como “filhos” e “filhas” de governantes/pais generosos. Embora reconheça as boas intenções dos que declaram apoio ao governo, justificando com isso o seu amor às causas sociais, entendo que elas não encontram apoio na realidade concreta do atual partido que tolera a pobreza e gaba-se de ter a cada ano mais e mais dependentes de programas sociais. Não deveria ser o contrário? Não haveríamos de ter mecanismos que nos possibilitassem comemorar que as pessoas passaram a não precisar mais do Estado e já podem se conduzir sozinhas na vida contribuindo com algo além de uma existência passiva?

Apoioado na crítica implacável que Freud e Nietzsche fizeram desse projeto político moderno que as esquerdas professam (da política do ressentimento, das emoções violentas não submetidas à razão e de uma oposição violenta a toda a tradição), professo meu voto contra o PT e penso ter razões de sobra, todos calcados no rastro de destruição simbólica e intelectual que lamentavelmente é nossa mais evidente herança após os 12 anos que se arrastaram.

Sairei de casa no presente momento para votar e declaro aqui o meu voto.

Voto contra um aparente projeto de redenção social que é, na verdade, um projeto de aparelhamento idelógico e solapamento da institucionalidade claramente demonstrado nos últimos decretos presidenciais. Voto contra essa corrupção que atinge níveis de imprudência e cifras nunca antes sequer cogitadas a nenhum partido e incomparáveis a nada do que se tem notícia na História (exceto, talvez, em países sob ditadura). Voto contra um governo que celebra acordos comerciais com ditadores, voto contra um governo que recebe tiranos como Gaddafi e Ahmadinejad com honras de Estado. Voto contra essa praga do politicamente correto. Voto contra o animismo. Voto contra a negação dos nossos desejos e uma negação do momento presente em nome de um historicismo radical. Voto contra a indevida associação do “proletário” ao trabalhador: proletário, na acepção grega, é aquele que não contribui com o mundo a não ser com a prole, o trabalhador (o que sustenta a farra do governo com impostos) é tratado hoje como um pária e desrespeitado em sua liberdade. Voto contra a sangria dos bolsos com uma carga tributária que leva metade de tudo o que produzimos sem nenhuma contrapartida razoável.  Voto contra o estreitamento intelectual que nos constrange e a censura que nos ronda. Voto contra a perda de poder do congresso. Voto contra a reforma política que prevê o voto em listas. Voto contra o bolivarianismo, a chamada democracia direta em oposição à democracia representativa já em vigência em lugares como Cuba ou Venezuela onde se recebe um carimbo no pulso ao se comprar um mísero rolo de papel higiênico. Voto contra o não estabelecimento de acordos comercias com os EUA. Voto contra esse repúdio ao americanismo por usuários diários e compulsivos de criações americanas (cinema, smartphones, Internet, rock e demais invenções que vão das esferográficas aos famigerados selfies). Voto contra uma líder atrapalhada que, em sua desorganização mental, não sabe se expressar e apresentar ideias minimamente coerentes. Voto contra uma gestão “medíocra” e “incompetenta” sem nenhuma grande obra concluída e com déficits econômicos graves. Voto contra a violência gramatical. Voto contra uma política de desresponsabilização que faz com que a culpa seja sempre do outro e habilita a agressividade como ferramenta política. Voto contra o Foro de São Paulo. Voto contra o universitário analfabeto e contra o líder desqualificado. Voto contra o cinismo de dizer que somos todos iguais e que só há direitos, nunca deveres ou obrigações. Voto contra o racismo que é paulatinamente reabilitado como política de Estado ao se criar classificações raciais em políticas públicas. Voto contra um partido que governa ao lado de máfias políticas regionais. Voto contra o bordel que se tornou a Universidade brasileira, que despreza a cultura clássica e a ciência em troca de banalidades cívicas. Voto contra IES que recebem analfabetos e os titulam sem pudores. Sobretudo voto contra a irracionalidade que vemos tomar conta de todo o país em uma campanha torpe de desqualificação que atinge seu ponto mais baixo quando Lula sobe em um palanque para dizer textualmente que seu opositor pisa em pobres, é nazista e genocida de negros. Voto contra o estreitamento intelectual e a ascensão sem méritos. Voto contra a revolução. Voto contra o ódio e a mentira.

Se eleito, um candidato de oposição terá a obrigação do cumprimento de suas promessas e uma oposição raivosa a lhe fiscalizar.  Se reeleito, o PT terá carta branca para continuar descumprindo orçamentos, roubando descaradamente, direcionando políticas corporativistas a grupos aliados, ideologizando nossas crianças, bastando pra isso que solape vergonhosamente a verdade dizendo, como de hábito: “eu sou um de vocês”.

Voto, portanto, contra a tutelagem intelectual e a vassalagem estatal que a leitura de Freud, Nietzsche, Lacan e Drummond me ensinaram a repudiar.

Voto, portanto, contra tudo o que de pior já nos aconteceu.

FORA PT!!!

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Jommond Drubim

Jobim DrummondOs grandes autores deixam uma obra imortal em lugar de suas inconvenientemente fugazes vidas. Elas, as obras, pasto macio de nosso conforto, mais do que uma compensação à vida que carreia consigo a morte, configura-se em uma continuidade extra-mundana: presente de madureza, um cristal de imortalidade. De nosso passo tão pouco caprichoso talvez não reste poeira de nome, sobretudo em 500 anos quando nada significará. Merecemos esperar mais que a noite sem fim de um país sem melodia? Que canto pode ser entoado em uma terra se alma? No oco sombrio de nossos passos reside, contudo, a beleza do retrato de todas as nossas grandes e pequenas questões: a canção de Jobim. Na erva mascada, nas notícias vermelhas vomitadas pelos jornais, no nítido oceano de nossa indelicadeza, a canção de Jobim mantém-se atual e urgente. Eis as obras que asseguram perene vida aos seus compositores. Sem nunca tê-lo visto pessoalmente, sou amigo de infância de Tom Jobim. Juntos brincamos no quintal de suas canções. Fraternos, bebemos juntos em todas as mesas a milenar inquietação amorosa da moça que passa, da felicidade que passa, do tempo que passa, da fortuna que passa, da morte que espreita. Nada há em sua vida que seja para mim um segredo e sua canção é sua e nossa vida viva. Ouvindo-a, conseguimos conviver intimamente com tudo o que foi o homem Jobim. Seu piano, tudo o que mais amou, evoca sua alma que conosco conversa contando-nos coisas que esse mundo barulhento insiste em esquecer. Escurece todos os dias, a cada segundo a treva anuncia-se com seu pesado pisar de patas. A noite não me seduz, mas (diz Drummond), já que aprouve ao dia findar, aceito a noite. Com ela aceito toda a ordem de seres soturnos e catatúmbicos que habitam os baixios e que, nesse tempo de fezes em que vivemos, ganham a pauta das manhãs. Minha noite, contudo é clara. Nela habitam Jobim, Drummond, Bach, Shakespeare, Freud, Guimarães Rosa, Voltaire, James Joyce e tudo o que de verdadeiramente essencial escapa a este estranho mundo de ideias tão amorosamente violentas. Convivendo com Jobim (e não só ele) vou calcando o profundo do existir, o sozinho capinar que de algum modo imprime primaveras num mundo que é só casca e grito. Com Drummond, canto a alegria de nada possuir, salvo um apaixonado transporte para um mundo de belezas literárias onde a vida é, definitivamente, paixão de expectantes frente a uma porta trancada. Com Jobim canto a possibilidade de penetrar em castelos e galgar a muralha do amor. Tomzinho, querido, que bom ter você.

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Carta a um amigo enfermo

Queridíssimo amigo,

Sua mensagem me enche de alívio pelo que comporta de auspiciosa quanto ao afastamento do que (me parece) de mais grave poderia implicar em um diagnóstico. Afastada a tumoração, entendo que muito provavelmente o outro diagnóstico (qualquer que seja) será tratável e curável. Tenho plena certeza (e sei que falo pela boca de todos os anjos) que você em breve acrescentará essa situação à conta dos desafios superados.

O mundo precisa de você meu amigo. Em que pese não sermos eternos e não ser atitude própria uma ligação demasiadamente aferrada à vida, sua existência (mesmo que insistida, como propõe João Cabral) de alguma maneira corrige em parte uma ordem de torção que diariamente nos é imposta goela abaixo. É justamente numa época em que gerânios são obrigados a florescer em armários fechados (para citar uma expressão de Drummond) que um espírito livre e racional como o seu reluz coruscante em uma época de trevas.

Sua luta atual soma-se não somente às demais por você já travada, mas a todas as grandes quedas e reascensões da história. Lutando bravamente como lutas, você é, a um só tempo, Ulisses retornando a Ítaca, Calaf esperando pacientemente o fim da noite que lhe traria o amor, Papageno aceitando a amplidão dos limites de seu comércio de pássaros, Riobaldo Tatarana derrotando a bala todo o bando de Joca Ramiro e tornando-se Urutu Branco, Santiago retornando à sua casa após pescado o seu espadarte. Seu feito soma dignidade e heroísmo a um tempo sem qualidades.

Receba o abraço afetuoso de quem o ama como um familiar e quer estar próximo neste seu momento.

Pedro Gabriel

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Fragmento de Sertão

04f1“Eu estava de sentinela, afastado um quarto-de-légua, num alto retuso.  Dali eu via aquele movimento: os homens, enxergados tamanhinho de meninos, numa alegria, feito nuvem de abelhas em flor de araçá, esse alvoroço, como tirando roupa e correndo para aproveitaremde se banhar no redondo azul da lagoa, de donde fugiam espantados todos os pássaros – as garças, os jaburus, os marrecos, e uns bandos de patos – pretos. Semelhava que por saberem que no outro dia principiava o peso da vida, os companheiros agora queriam só pular, rir e gozar seu exato. Mas uns dez ti nham de sempre ficar formando prontidão, com seus rifles e granadeiras,que Medeiro Vaz assim mandava. E, de tardinha, quando voltou o vento, era um fino soprado seguido, nas palmas dos buritis, roladas uma por uma. E o bambual, quase igualmente. Som bom de chuvas. Então, Diado rim veio me fazer companhia. Eu estava meio dúbito. Talvez, quem tivesse mais receio daquilo que ia acontecer fosse eu mesmo. Confesso. Eu cá não madruguei em ser corajoso; isto é: coragem em mim era variável. Ah, na queles tempos eu não sabia, hoje é que sei: que, para a gente se transformar em ruim ou em valentão, ah basta se olhar um minutinho no espelho  –caprichando de fazer cara de valentia; ou cara de ruindade! Mas minha competência foi comprada a todos custos, caminhou com os pés da idade. E, digo ao senhor, aquilo mesmo que a gente receia de fazer quando Deus manda, depois quando o diabo pede se perfaz. O Danador! Mas Diadorim estava a suaves. –“Olha, Riobaldo” – me disse – “nossa destinação é de glória. Em hora de desânimo, você lembra de sua mãe; eu lembro de meu pai…” Não fale nesses, Diadorim… Ficar calado é que é falar nos mortos… Me faltou certeza para responder a ele o que eu estava achando. Que vontade era de pôr meus dedos, de leve, o leve, nos meigos olhos dele, ocultando, para não ter de tolerar de ver assim o chamado, até queponto esses olhos, sempre havendo, aquela beleza verde, me adoecido, tão impossível.”

(Fragmento do colossal Gande Sertão: Veredas)

Assinatura Guimarães Rosa

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Saramago e a Irrelevância da Literatura (por Fernando da Mota Lima)

jose-saramago“Apesar da idade e da doença, José Saramago continua ativo. Vem agora ao Brasil lançar seu novo romance, que é apenas um pretexto para que se pronuncie sobre questões políticas e inquietações humanas que seus leitores não têm idéia de como enfrentar. As aparições públicas de escritores de prestígio como Saramago e a natureza do discurso que desfiam para a mídia evidenciam a irrelevância da literatura no mundo contemporâneo. Mesmo escritores que vivem antes de tudo para a literatura e nela efetivamente acreditam, não dão ênfase em suas falas públicas a questões de natureza estética ou literária. Suponho que gostariam de fazê-lo, que prezariam discutir a literatura enquanto tal ou as possibilidades de esta interferir na ordem prática do mundo enquanto discurso irredutível ao da política, da economia ou ainda da pura curiosidade mundana do público e da mídia ávida de mercadoria. O fato, porém, é que se pronunciam sobre tudo, ou quase tudo, e bem pouco, senão nada, sobre literatura.

A última aparição pública de Saramago reitera o discurso previsível, tudo que acima grosseiramente esbocei. Mais uma vez critica a crueldade do capitalismo e respalda sua crítica em Marx ou numa concepção socialista de sociedade e organização dos grupos humanos. Nada a objetar quanto ao diagnóstico. Também considero o capitalismo um sistema econômico cruel, gerador de atrocidades e misérias cotidianas. O que não consigo é seguir Saramago no terreno de suas convicções terapêuticas, para valer-me aqui de mais um termo da linguagem clínica. Se é verdade que o capitalismo é portador de todos os horrores incansavelmente denunciados por Saramago, e nesse sentido a obra de Marx preserva sua atualidade substancial, não há como fugir à evidência histórica de que comunismo e possíveis variações socialistas não funcionam. Não sei se há alguma tintura de humor ou auto-ironia na justificativa que agora encontra para seu comunismo anacrônico: confessa-se ele um comunista hormonal. Gostei da designação, que leio um tanto na veia irônica ou humorística.

Penso hoje com mais clareza que o comunismo malogrou e sempre malogrará por ser incompatível com as paixões humanas mais poderosas, aquelas que ontologicamente definem nossa condição. Sei bem que a teoria comunista reivindica a natureza histórica do ser humano. Trocando em miúdos, não existe natureza humana, existem formas históricas de ser humano. Num certo sentido, isso é sem dúvida verdadeiro. Valores humanos fundamentais, concebidos por conservadores e reacionários como se fossem investidos de eternidade, são comprovadamente transitórios, ou manifestam-se mediante variações históricas, fruto de modos particulares de ser observáveis em determinadas épocas e lugares.

Entretanto, já não duvido de que ao lado, e sobretudo acima disso, persistem características humanas que autorizam falar-se de uma natureza humana compreendida enquanto entidade constante, modo substancial de ser apreensível no conjunto da história humana. Presumo que Freud tinha isso em mente ao declarar seu ceticismo diante dos experimentos sociais então em processo na União Soviética governada por Stálin quando  escreveu O Mal-estar na Civilização. Atendo-me ainda a Freud, acredito haver no ser humano uma componente de agressividade indomesticável pela civilização. Igualmente acredito na nossa natureza irredutivelmente egoísta. Muito gostaria de acreditar nos ideais generosos teimosamente sustentados por Saramago. A evidência histórica, antes de tudo a evidência de minha experiência direta, provam-me o contrário.

É irrefutável a força condicionadora da sociedade ou do sistema econômico em muitas das ações humanas que traduzem o que em nós existe de bom e de ruim. O que de modo algum endosso é a convicção dos que atribuem nossa natureza a fatores puramente sociais. Querem dizer, mesmo quando assim não se pronunciam, que nossa maldade é socialmente adquirida, tem raízes puramente ambientes. Não penso assim. Seguindo Freud, penso haver um ingrediente biológico na nossa destrutividade. Portanto, um ingrediente irredutível à civilização ou a toda ideologia generosa empenhada em estabelecer neste mundo uma modalidade de organização humana fundada na solidariedade e em valores prevalentemente positivos. É uma utopia generosa, que de resto me seduziu na juventude, mas sei hoje irrealizável.

Igualmente longe de mim endossar o pessimismo daqueles que vêem o ser humano como mau, como investido de qualidades apenas negativas. Penso seguir ainda a lição de Freud quando acredito não numa natureza humana exclusivamente negativa, ou positiva, mas sim ambivalente. Em síntese, é esta a substância de minha convicção relativa à natureza humana: ela é ambivalente e as manifestações dessa ambivalência dependem tanto de fatores inatos quanto adquiridos. Sei que isso é ainda muito vago, mas não sei de nenhum iluminado ou de nenhuma teoria que consistentemente estabeleça a fronteira e a proporção que cabem a um e outro, àquilo que é inato assim como adquirido. Durma-se na companhia dessa gente. Por isso deduzo haver algo de sensato na minha cama, que nunca acolheu companhia permanente – além da minha, claro.

Catando os grãos de milho da literatura nesse terreiro onde de tudo se fala, menos dela, qual é mesmo o título do romance que Saramago veio lançar no Brasil? Não me lembro. Salvo engano, não foi mencionado na reportagem que li na Folha de S. Paulo. Sei que o título tem algo a ver com elefantes. Serão acaso companhias desejáveis? Evocando  Cioran, prefiro ainda a dos misantropos. Não são lá flor que se cheire, mas têm a virtude de não gostar de seres humanos. Piores, bem piores, são os humanos que amam apenas seres de outras espécies, notadamente a dos gatos e cachorros. Tenho poucas razões para louvar a espécie humana e os estragos que ela impõe a essa terra devastada que habitamos. Mas falo afinal dos meus semelhantes. Querendo ou não, e bem pouco quero, é neles que me reconheço, neles vibram os triunfos e misérias de minha condição. Apesar do ruído pavoroso que entre nós produzimos, tudo isso faz mais sentido do que o miado dos gatos e o latido dos cachorros. Fico portanto com meus humanos.”

(Texto escrito em meados de 2009 por Fernando da Mota Lima que era então professor de Sociologia da Universidade Federal de Pernambuco, de uma antiga e extinta lavra de educadores letrados, eruditos e dotados de uma pensamento crítico que funcionava acima de qualquer moralismo ou derivados, tal como o contemporâneo ativismo. Escreve graciosa e cotidianamente em seu extraordinário blog: http://fmlima.blogspot.com.br/)

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Poema da Gare do Astapovo (por Mario Quintana)

Tolstói, antes de fugir de casa, em foto registrada por Prokudin-gorsky em 1908

“O velho Leon Tolstoi fugiu de casa aos oitenta anos
E foi morrer na gare de Astapovo!
Com certeza sentou-se a um velho banco,
Um desses velhos bancos lustrosos pelo uso
Que existem em todas as estaçõezinhas pobres do mundo,
Contra uma parede nua…
Sentou-se… e sorriu amargamente
Pensando que
Em toda a sua vida
Apenas restava de seu a Glória,
Esse irrisório chocalho cheio de guizos e fitinhas
Coloridas
Nas mãos esclerosadas de um caduco!
E então a Morte,
Ao vê-lo sozinho àquela hora
Na estação deserta,
Julgou que ele estivesse ali à sua espera,
Quando apenas sentara para descansar um pouco!
A Morte chegou na sua antiga locomotiva
(Ela sempre chega pontualmente na hora incerta…)
Mas talvez não pensou em nada disso, o grande Velho,
E quem sabe se até não morreu feliz: ele fugiu…
Ele fugiu de casa…
Ele fugiu de casa aos oitenta anos de idade…
Não são todos os que realizam os velhos sonhos da infância!”

maquintana

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